Judith McNaught - Um reino de sonhos


Para quem já leu “Whitney, meu amor” ou “Até você chegar”, já está habituado ao nome Westmoreland e a leitura desse livro é obrigatória, nele é contada a história do primeiro duque de Claymore, Royce Westmoreland, que a meu ver é o mais apaixonante dos Westmoreland.

Royce é um conde e um lendário guerreiro, que se prepara para empreender uma batalha na Escócia contra o clã de Merrick, mas seu irmão (Stefan Westmoreland) rapta as duas filhas do conde de Merrick e as levas para o acampamento de Royce.

Jennifer Merrick é uma jovem corajosa e esperta, que irá fazer de tudo para fugir, mas não conseguirá deter seus sentimentos em relação ao temido Lobo Negro, Royce Westmoreland.

Adoro os romances épicos da Judith e esse se tornou meu livro favorito da escritora, as narrativas sobre a paisagem, as batalhas e o torneio são surpreendentes e sem dúvida é impossível ler sem se apaixonar por Royce.

Trecho do livro:

"-Brenna corre o risco de morrer se não inalar as ervas de minha tia. Da última vez seu coração deixou de bater.
Royce não acreditava que a jovem loira corresse realmente perigo de morte, mas era evidente que Jenny achava como também era certo que Brenna não fingia aquela tosse.
Jenny detectou um pouco de indecisão nos duros traços de Royce e, convencida de que ele estava a ponto de recusar seu pedido, tratou de aplacá-lo se mostrando de liberadamente total.
-Disseram que sou muito orgulhosa e... sou - disse-lhe, apoiando uma mão sobre seu peito, com um gesto de súplica. -Se deixar Brenna partir, farei qualquer tarefa que me ordenar, por mais humilde que seja. Esfregarei o chão... cozinharei para você. Juro que o recompensarei de alguma forma.
Royce olhou a pequena e delicada mão esticada sobre seu peito; começava a notar seu calor através da túnica e isso bastou para que o desejo começasse a manifestar-se em seu corpo. Não compreendia como era possível que ela exercesse um efeito tão forte sobre ele, mas sim compreendia que desejava tê-la entre os braços. E para conseguir, estava disposto a tomar a decisão mais irracional de sua vida: deixar que partisse sua refém mais valiosa, pois, apesar da convicção de Jennifer de que Lorde Merrick era um pai carinhoso, embora duro, algo do que tinha lhe contado o fazia duvidar de que aquele homem abrigasse sentimentos profundos para sua com «problemática» filha mais velha.
-Por favor - sussurrou Jenny com expressão de temor nos olhos ao tomar erroneamente seu silêncio como uma negativa. -Farei qualquer coisa. Ajoelharei-me diante de você. Só têm que me dizer o que deseja.
Royce falou finalmente, enquanto Jenny, ofegante, estava muito exausta para detectar o estranho e significativo tom que imprimiu em sua voz.
-Qualquer coisa?
Ela assentiu com um vigoroso gesto de cabeça.
-Qualquer coisa... Farei que em poucas semanas que este castelo fique limpo e preparado para receber um rei. Rezarei por cada um de...
-Não é prece o que desejo - interrompeu-a ele.
Desesperada por chegar a um acordo antes que ele mudasse de opinião, Jenny acrescentou:
-Me digam então o que é que deseja.
-Você - respondeu ele implacavelmente. A mão de Jennifer se separou de sua túnica, enquanto ele continuava falando sem emoção alguma. -Não desejo que se ponha de joelhos. Desejo-a em minha cama. Por vontade própria.
O alívio de saber que ele estava disposto a deixar Brenna partir se viu temporalmente superado pela abrasadora animosidade diante do que lhe exigia em troca.
Ele não sacrificava nada ao libertar Brenna, pois ainda conservava Jenny como refém e, entretanto, exigia a esta que sacrificasse tudo. Ao ceder voluntariamente sua honra, ela se transformaria em uma rameira, em uma desgraça para si mesma, sua família e tudo aquilo que lhe era mais querido. Certo que quase já tinha cedido em uma ocasião, ou que quase esteve a ponto de ceder, mas o que tinha lhe pedido em troca teria salvado centenas de vidas, provavelmente milhares. Pessoas que amava.
Além disso, quando lhe fez aquela oferta velada se sentia meio atordoada por seus beijos e suas carícias apaixonadas. Agora, por outro lado, compreendia claramente quais seriam os resultados deste trato.
Atrás dela, a tosse espasmódica de Brenna fez com que Jenny desse um pulo, alarmada tanto por sua irmã como por si mesma.
-Temos um trato? -perguntou ele com tranqüilidade.
Jenny ergueu a cabeça com o aspecto de uma jovem rainha orgulhosa que acabasse de ser apunhalada pela pessoa em quem mais confiava.
-Julguei-lhe erroneamente, milorde - disse amargamente. -Achava que tinha honra quando há dois dias se negou a me aceitar, pois teria tomado o que eu lhe oferecia em troca de não atacar o castelo de Merrick. Agora compreendo que não foi honra e sim arrogância. Um bárbaro como você não tem honra.
Apesar de saber que estava vencida, sua atitude era esplêndida, pensou Royce, que conteve um sorriso de admiração enquanto observava aqueles atormentados olhos azuis.
-Parece-lhe tão detestável o acordo que lhe ofereço? -perguntou sereno, e apoiou as mãos sobre os rígidos braços dela. -Na verdade, não tenho necessidade de fazer acordo algum com você, Jennifer, e sabe disso. Nestes últimos dias poderia tê-la possuído pela força no momento em que tivesse desejado.
Jennifer sabia que ele estava certo, e embora seu rancor não se aplacasse, teve que lutar para não cair sob o feitiço da profunda voz do conde.
-Eu te desejo -continuou Royce, - e se isso me transforma em um bárbaro diante de seus olhos, que assim seja, embora não tem por que ser dessa forma. Se me permitir, farei com que as coisas entre nós sejam melhores. Em minha cama não terá que sofrer nenhuma vergonha ou dor, exceto da primeira vez, depois disso, tudo será prazer.
Se tivessem vindo de outro cavalheiro, aquelas palavras teriam bastado para convencer à cortesã mais refinada. Mas dirigidas pelo guerreiro mais temido da Inglaterra a uma moça escocesa que virtualmente tinha sido criada em um convento, o efeito que exerceu foi devastador. Jennifer sentiu que o sangue subia ao seu rosto e que uma fraca e tremula sensação descia da boca do estômago até os pés, pois se viu repentinamente assaltada pela lembrança de seus ardorosos beijos e carícias.
-Temos um acordo? -insistiu Royce ao mesmo tempo em que acariciava os braços de Jenny com seus longos dedos e pensava que acabava de pronunciar as palavras mais ternas que jamais havia dito a uma mulher.
Jenny vacilou por um instante que pareceu interminável, consciente de que não restava outra alternativa. Depois, assentiu imperceptivelmente.
-Manterá sua palavra? -perguntou Royce.
Jenny se deu conta de que se referia ao tema de sua boa vontade, e voltou a vacilar. Desejava odiá-lo, mas uma voz em seu interior a lembrava que nas mãos de qualquer outro seqüestrador já teria sofrido um destino muito pior que o que Royce lhe propunha. Um destino brutal e inconcebível.
Olhou fixamente o bronzeado rosto do Lobo em busca de um sinal que lhe indicasse que mais tarde ele talvez tivesse piedade dela, mas em vez de encontrar uma resposta ficou repentinamente consciente do quanto tinha que inclinar a cabeça para trás para olhá-lo, e de quanto era pequena em comparação com sua estatura e corpulência. Enfrentar seu tamanho, a sua fortaleza e a sua vontade indomável, não era possível e não restava outra alternativa, e ela sabia. Compreender aquilo fez com que sua derrota parecesse menos dolorosa, pois se via totalmente superada por uma força muito superior à sua.
Saiu ao encontro de seu olhar sem se acovardar, orgulhosa inclusive em sua rendição.
-Cumprirei com minha parte do trato.
-Queria que me desse sua palavra - insistiu ele.
Nesse momento, outro violento ataque de tosse atraiu sua atenção para o quarto de Brenna. Jenny o olhou com expressão de surpresa. A última vez que tinha lhe dado sua palavra, ele tinha agido como se isso não significasse nada para ele, o que não era nada surpreendente. Os homens, incluído seu próprio pai, não davam valor algum à palavra de uma mulher. Evidentemente, Lorde Westmoreland tinha mudado de opinião, e isso não deixou de ser estranho. Com uma sensação extremamente incômoda e ligeiramente orgulhosa diante da pergunta, que era sua primeira oportunidade de que se cumprisse com seu pedido, sussurrou:
-Dou-lhe minha palavra.
Royce assentiu, satisfeito."

2 comentários:

  1. Emanuella Amorim8 de junho de 2009 00:16

    Vc tem toda a razão, este livro é emocionante!
    Inesquecível pra quem já leu! Mas na minha opinião o melhor livro histórico da Judith foi e é "Até vc chegar", noosssa AMEI esse livro tanto que planejo dar de presente a minha filha, neta... bisneta e assim por diante!Bjo

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  2. Amei este! Royce é o homem dos meus sonhos hahaha. Para ser honesta, Jennifer me irrita um pouco, por ser muito voluntariosa e sempre acabar fazendo uma burrada, mas ele é demais, vale a pena por Royce! As narrativas de duelos e batalhas são incriveis! Recomendo muito!

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