Diana Gabaldon - Os Tambores de Outono

Jamie e Claire começam uma nova vida na América, ao mesmo tempo acompanhamos a vida de Brianna e Roger, e o amor que começa a brotar entre esse casal.
Brianna sofre muito com a falta de Claire, tem curiosidade de conhecer Jamie e por isso sente que está traindo a memória de Frank Randall, em meio a tudo isso, fica a dúvida sobre os sentimentos em relação a Roger Wakefield.

E são todos esses fatores que a impulsionam a ir ao encontro dos pais...

A neste 4º livro, a história continua empolgando de uma maneira que não sei explicar, afinal já foram 3.683 páginas... e continuo querendo saber o que será deles, como terminaram seus dias, o que acontecerá com Brianna, Roger, Ian, Jemmy...

Os personagens são tão fortes e marcantes que sinto como se eu os conhecesse, e depois de tantas descrições até consigo forma-los em minha mente, conhecer o timbre das suas vozes, realmente fico impressionada com o talento dessa escritora...

Trecho do livro:
"-O que é a chamada dos clãs? -perguntou uma mulher a seu companheiro.
O homem se encolheu de ombros e Brianna olhou ao Roger para que o explicasse.
-Já o verá -disse sorrindo.
Tinha anoitecido e a lua ainda não saía. A montanha era uma massa escura no céu estrelado. Uma exclamação surgiu da multidão e, então, as notas de uma gaita de fole atravessaram o ar, silenciando todo o resto.
Um ponto de luz apareceu perto do topo da montanha. Enquanto olhavam, moveu-se para baixo e apareceu outro brilho. A música se fez mais forte e apareceu outra luz. Durante quase dez minutos a espera aumentava, a música se ia fazendo mais forte e as luzes se converteram em uma cadeia luminosa que baixava pela montanha.
Ao fundo da ladeira havia um atalho que descendia das árvores do topo. Brianna já o tinha visto antes. Naquele momento apareceu um homem entre as árvores, agitando uma tocha por cima da cabeça. Detrás ia o gaiteiro; o som da gaita de fole era tão forte que apagava as exclamações da multidão.
Enquanto baixavam pelo atalho para o claro, frente aos degraus, Brianna pode ver uma larga fileira de homens, cada um levando uma tocha e vestidos com a roupa de chefes dos clãs. Eram bárbaros e esplêndidos, com a prata das espadas e adagas brilhando com brilhos avermelhados à luz das tochas.
As gaitas de fole calaram bruscamente e o primeiro dos homens se deteve ante os degraus. Levantou a tocha por cima da cabeça e gritou:
-Os Cameron estão aqui!
Exclamações de entusiasmo percorreram as tribunas; o homem arrojou a tocha no tonel cheio de querosene e o fogo se elevou com um rugido.
Outra vez se repetiu a cena.
-Os MacDonald estão aqui!
Gritos e aclamações de outros membros do clã.
-Os MacLachlan estão aqui!
-Os MacGillivray estão aqui!
Estava tão interessada no espetáculo que quase não emprestava atenção ao Roger. Então se adiantou outro homem.
-Os MacKenzie estão aqui!
-Tulach Ardi -uivou Roger, sobressaltando a Brianna.
-O que é isso?
-Isso -respondeu sorrindo- é o grito de guerra do clã dos MacKenzie.
-Soa muito guerreiro.
-Os Campbell estão aqui! -Devia haver muitos Campbell, porque a resposta sacudiu os degraus. Como se essa fora o sinal que esperava, Roger ficou em pé e se colocou a capa.
-Encontramo-nos nos vestuários?
Brianna assentiu e Roger se inclinou súbitamente e a beijou.
-Se por acaso tem dúvidas –disse- O grito dos Fraser é Caisteal Dhuni.
Observou-o enquanto se afastava baixando pelos degraus como uma cabra Montes.
Sentia o peito oprimido pela fumaça e a emoção. Tinham morrido os clãs no Culloden? Sim, assim era; isto não eram mais que lembranças; estavam chamando fantasmas; os que estavam ali gritando com entusiasmo não eram parentes nem tinham terras nem casas, mas...
-Os Fraser estão aqui!
O pânico se apoderou dela e se aferrou a sua bolsa. «Não -pensou-. Ah, não. Eu não.»
Passado o momento, recuperou a respiração, mas a adrenalina ainda corria por suas veias.
Os Lindsay, os Gordon... até que, finalmente, os ecos do último grito cessaram. Brianna sujeitava sua bolsa como se temesse que fora a escapar. «Como pôde fazê-lo ela?», pensou; e logo, ao ver o Roger com o tambor na mão e a cabeça iluminada pelo fogo, pensou outra coisa: «Como impedi-lo?»"

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