[Blablablá literário] Cadê o pedaço que estava aqui??

Cadê o pedaço que estava aqui??

Um fato que ocorre há anos e que chateia milhares... er... centenas... er... um monte de leitoras é a mutilação de livros pelas Editoras (aqui estou generalizando mas os casos mais absurdos ocorreram com livros publicados pela Nova Cultural), isso é facilmente constatado quando comparamos os livros em português com os seus originais em outra língua...

Isso é uma coisa que eu sempre fiquei curiosa em saber como funciona, sabe?? Sempre imagino uma mulher frustrada (que no último emprego era responsável pelo cumprimento do AI-5 durante o regime militar), lendo todos os livros avidamente, com um grande carimbo de CENSURADO numa mão e um marca texto na outra... quando os olhinhos brilhantes passam por uma palavra escabrosa (hum, será que escabrosa é uma palavra muito forte para as sensíveis leitoras da nossa editora??), grifa a palavra e bate o carimbo na página...
E o que dizer daqueles trechos sensuais e irritantes que vão contra a moral e os bons costumes e que não dá pra salvar uma palavrinha que seja... toca bater carimbo em tudo...

Bem, ninguém pode me acusar de não ter uma imaginação fértil... mas juro que é assim mesmo que eu vejo a cena... uma sala com pouca iluminação, uma mesa escura, com pilhas e pilhas de livros amontoados até no chão e uma senhora mais ou menos como essa da foto (mas com batom mais clarinho, porque esse está muito escandaloso)... decidindo o que eu devo ou não ler...

Outra coisa que me deixa muito revoltada é a suavização dos textos... afinal se você não quer publicar determinado livro, é só não comprar os direitos e deixar que outra pessoa publique, oras!!

Esse negócio de escolher o que eu posso ou não ler me irrita, o que eu quero é poder ler na íntegra o que o autor pensou, o que ele escreveu... seja bom ou ruim... se não gosta, não publique que eu vou fazer como muitas outras pessoas que leêm em inglês ou compram livros em Portugal...

Isso me faz lembrar da época (deveria ter uns 10 ou 11 anos) em que descobri os romances de banca... geralmente lia aqueles florzinhas e ficava vermelha até a raiz dos cabelos em cada passagem mais sensual (ao menos sensual o bastante para uma menina de 10 anos) e escondia rapidamente os livros caso alguém entrasse no quarto...

Lembrando agora acho bem engraçado, mas agora já cresci, sou dona do meu próprio nariz (tirando uma boa parte que está financiada no banco) e posso decidir o que me agrada ou não... o que me convem ou não...

Uma coisa que gosto muito nos livros de Portugal é que eles não suavizam nada, se a autora escreveu, está ali... preto no branco... por isso a cada dia que passa mais gente se rende a esses livros... já vi alguns livros, inclusive, com informações na capa de que se tratam de romance erótico... pronto, resolvido... nenhuma pessoa irá ler o livro pensando que é uma coisa e é outra...

Sim, porque tem gente que não gosta... assim como tem gente que não gosta de livros de terror, que não gosta de livros de guerra, que não gosta de livros de vampiro... afinal, o que seria do verde se todos gostassem do amarelo, né??

Mas, você... senhorinha que trabalha nas editoras com a função exclusiva de se preocupar com o que meus olhinhos inocentes possam ver, vai fazer outra coisa... vai brincar com seus netos, dançar num clube da terceira idade, fazer um cruzeiro com as amigas aposentadas... e deixa eu ler em paz!!

O blablablá literário (que tem esse nome por pura falta de criatividade de minha parte) é só um espaço para eu colocar meus pensamentos, não tem intenção de ferir ninguém, nem de lançar indiretas a essa ou aquela pessoa, e eu ficarei muito contente com seus comentários...

4 comentários:

  1. Oi Dé!!!
    Adorei seu desabafo e te entendo perfeitamente.
    É realmente um absurdo nos dias atuais alguém querer decidir o que devemos ou não ler.
    Quem sabe num futuro bem próximo, assim eu espero, as editoras parem com essas atitudes e deixem as decisões para nós mesmas.
    bjs

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  2. excelente essa reflexao, excelente! é mutilaçao mesmo, destruiçao de uma obra. tradutores, editores, nao podem interferir em uma obra desta maneira. é a mesma coisa que pintar o cabelo da Monalisa ou remendar as pirâmides com azulejo.

    é revoltante. pior q acontece mto né, fora os erros absurdos na traduçao

    bom fim de semana!

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  3. Oi Débora

    Concordo plenamente, eu quero ler tudo o que o autor escreveu, mesmo se for uma porcaria. Se o texto tem trecho tão fortes coloquem um aviso, não faz sentido suavizar - não nos polpam em nada nessa vida, daí um livro que você vai ler por vontade própria é censurado, parece que estão subestimando o leitor.

    Adorei a sua descrição da pessoa e do momento dos cortes :D ficou muito bom e criativo o texto.

    Bjus

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  4. Oi Débora!

    O leitor se sente enganado, pelo menos foi assim que me senti quando descobri as barbaridades que as editoras fazem com os livros. Pode ter certeza que eu sou mais uma que se rendeu aos livros de Portugal, pela que não leio Inglês senão as editoras daqui não iriam mais ver a cor do meu dinheiro.

    Beijos
    Luciana
    Apaixonada por Romances

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