Um lugar para ficar - Deb Caletti


O relacionamento de Clara com Christian é intenso desde o começo e diferente de tudo o que ela já havia experimentado. No entanto, o que começa como um grande afeto rapidamente se transforma em obsessão, e já é muito tarde quando Clara percebe que as coisas foram longe demais e que Christian está disposto a fazer de tudo para ficar ao seu lado. Então, Clara parte da cidade e Christian fica para trás. Ninguém sabe onde ela está, mas, mesmo assim, Clara ainda luta para se livrar do medo. Ela sabe que Christian não vai permitir que ela suma tão facilmente. Não importa para onde ela vá, nunca será longe o bastante...



A leitura desse livro mexeu bastante comigo, pois ela conta a história de uma garota que foi perseguida por um ex-namorado... acho que eu nunca falei isso aqui e nem mesmo a maioria das pessoas que me conhece pessoalmente sabe, afinal isso não é coisa para se brincar e nem sair por aí criando uma comunidade, mas passei por um período difícil no final da minha adolescência quando um ex-namorado não aceitou bem o término da relação...

A resenha de hoje vai ser mais com cara de desabafo, pois me vi na pele da Clara, os diálogos, as acusações, as culpas... eu passei por tudo isso... 

Meu primeiro namorado era um rapaz gentil, educado, mas também era controlador... não era tão ciumento como o Christian (ou talvez fosse), mas controlava as roupas que eu vestia, as amizades que eu tinha e até meu jeito de agir e falar era criticado... por isso entendi perfeitamente a personagem do livro e assim como na história eu me submeti diversas vezes porque acreditava que o amava... mas um dia o amor acabou, ou foi minguando a cada dia, enfim, um dia eu não quis mais... e aí vieram as acusações, as cobranças pelas promessas quebradas (até hoje detesto ouvir promessas vazias, como eu te amarei para sempre, vamos ficar sempre juntos e também não as faço).

Em dois episódios eu quis terminar e ele demonstrou ser violento, fiquei morrendo de medo... decidi ignorar tudo o que viesse dele, desde fofocas que ele disseminava entre amigos em comum, até pedidos para conversar...

Eu adorava e adoro até hoje a família dele, e creio que até pela criação que ele teve as coisas não foram piores, mas a fixação me assustava... tive outros namorados e sempre que estava no comecinho da relação, ele aparecia do nada nos lugares mais improváveis... ele fez questão de conhecer e conversar com todos os meus namorados, nessas ocasiões eu sempre tentei levar numa boa, achava que se me mostrasse de alguma forma mexida com suas aparições ele poderia interpretar como um bom sinal... procurava não demonstrar surpresa, apenas evitava sua presença quando possível e me mostrava pouco amistosa quando não era possível... várias vezes fui abordada por amigos em comum que diziam que a hora que eu quisesse a gente voltava, é claro que não explicava porque aquilo era impossível para mim...

Quando me casei, ele já estava noivo (de uma garota que na época era muito parecida comigo) e foi no meu casamento, convidei a família dele e não havia como restringir o convite... dois meses depois ele foi levar o convite de casamento dele para minha mãe, e da mesma forma, não houve como não ir no seu casamento na hora em que ele entrou, uma amiga minha me cutucou e falou: "Nossa, que estranho... essa não é a mesma música que você entrou no seu casamento?"... eu não estava prestando atenção, mas o que senti naquela hora foi horrível, tive a nítida impressão que era a sua forma de me mandar uma mensagem, que só eu saberia... depois conversei sobre essas "coincidências" com a minha mãe e ela me falou que quando ele entregou o convite de casamento e ela perguntou quando seria, ele respondeu: "Vai ser no mesmo lugar, dia e horário que o dela"... e realmente foi... numa sexta-feira, no mesmo lugar e horário onde eu me casei...

Depois de alguns meses, precisei entrar no meu e-mail na faculdade, quando entrei nele levei um susto... ele tinha entrado no meu e-mail, lido as mensagens... quando entrei nas configurações vi que ele tinha alterado as informações pessoais como se o e-mail fosse dele... desativei o e-mail e liguei para minha mãe e pedi que ela ligasse para ele avisando que se aquilo continuasse eu iria falar com os pais dele e com a sua esposa... me lembro perfeitamente que estava num dos laboratórios da faculdade e comecei a tremer descontroladamente, entrei correndo no banheiro e só sabia chorar, fiquei um bom tempo perturbada...

As coisas melhoraram... sei que ele ainda procurou saber de mim... até quando me mudei de São Paulo para uma cidade do interior ele apareceu por lá duas vezes (acompanhado da esposa), foi em uma lanchonete que minha tia tinha e na outra vez foi na igreja que eu frequentava (já deve fazer uns 5 anos que isso aconteceu)... Graças a Deus eu não estava em nenhuma das vezes... hoje ele está casado, tem filhos e eu espero que seja feliz com eles... nunca mais nos falamos e espero que não ter que vê-lo nunca mais...

Tudo isso que escrevi pode parecer bobagem para quem não passou por isso, mas essa fixação descabida dá muito medo para quem é alvo dela... eu não entendia como ele não me esquecia, e não falo isso para parecer importante... sei que muita das vezes é exatamente isso que desejamos (sermos inesquecíveis), mas quando isso acontece de fato é aterrorizante... acho que só contei isso para pessoas bem próximas, minha mãe, meu marido e uma amiga mais próxima, na época eu me sentia culpada porque da mesma forma como isso aterrorizava, não deixava de ser uma massagem para o meu ego, fazia com que me sentisse importante (de uma forma doentia e tudo mais) e ainda mais culpada... difícil explicar e mais difícil ainda entender, mas a autora narra isso de uma forma que eu nunca havia conseguido...

O livro narra muito bem esse medo, a culpa, os diálogos da Clara com o Christian me lembraram tanto os meus próprios que me vi com os olhos cheios de lágrimas em vários momentos... para quem teve a sorte de nunca passar por nada parecido, creio que o livro pode parecer até sem graça e pouco crível... mas eu o achei tão real que depois de ler fiquei imaginando se foi a autora que passou por uma situação semelhante ou se foi alguém próximo...

A história mexeu bastante comigo e por isso achei que poderia desabafar um pouquinho com vocês, mostrar que nem tudo são flores e nem todos os amores são realmente amores...

Prometo que tentarei não ter mais esses ataques de desabafo e tentarei fazer resenhas menos pessoais, dramáticas e emotivas... mas agora que eu já contei um pouquinho da minha vida, vocês bem que poderiam retribuir e contar um pouco da de vocês, que tal?? 

Ah, amanhã tem sorteio do livro... fiquem de olho!!

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