Um Dia - David Nicholls

Resenha da Mikaela

Você já teve a sensação de lembrar de uma música enquanto lia um livro? Ou pensar que aquela música era perfeita para aquela história? Foi assim com o livro Um Dia, de David Nicholls, da editora Intrínseca.

Dexter Mayhew e Emma Morley se conheceram em 1988. Ambos sabem que no dia seguinte, após a formatura na universidade, deverão trilhar caminhos diferentes. Mas, depois de apenas um dia juntos, não conseguem parar de pensar um no outro. Os anos se passam e Dex e Em levam vidas isoladas - vidas muito diferentes daquelas que eles sonhavam ter. Porém, incapazes de esquecer o sentimento muito especial que os arrebatou naquela primeira noite, surge uma extraordinária relação entre os dois. Ao longo dos vinte anos seguintes, flashes do relacionamento deles são narrados, um por ano, todos no mesmo dia: 15 de julho. Dexter e Emma enfrentam disputas e brigas, esperanças e oportunidades perdidas, risos e lágrimas. E, conforme o verdadeiro significado desse dia crucial é desvendado, eles precisam acertar contas com a essência do amor e da própria vida.
Falar dos fim dos anos 80, falar dos anos 90 e do começo dos anos 2000 é certeza de nostalgia pra mim. Embora nos anos 90 eu ainda fosse criança, sempre dá aquela sensação de saudade, quase saudosismo. Um Dia é feito basicamente assim. Mesmo não sendo narrado por alguém do futuro (embora a narrativa pule uns 20 anos para mostrar o que aconteceu com determinado coadjuvante que não voltará a aparecer), tudo é narrado em clima nostálgico.

As farras e protestos da faculdade, o começo dos anos 90 juntamente com a televisão se renovando, as bebedeiras de Dexter, a noite em que os protagonistas dormiram juntos... Quando os personagens entram na casa dos trinta, quase com quarenta, você sente saudade junto com eles, lamenta o rumo de suas vidas, acha que algumas coisas aconteceram porque foram plantadas...

Quando o livro te aproxima dos personagens a ponto de te fazer querer mandar uma carta pra eles ou gritar para deixarem de ser idiotas, esse livro tem um "quê" especial. Não é um livro alegrinho (embora a linguagem seja bastante despojada e com ótimas tiradas), mas também não é açucarado, é simplesmente real, sabe, num sentido até meio irônico.

Emma, com seus ideais, baixa autoestima e grande inteligência, simplesmente se anula sempre, trabalhando em uma lanchonete ou se metendo em relações com pessoas sem-graça, sempre apaixonada por Dexter e sofrendo em silêncio com isso. Já Dexter é irritantemente autoconfiante, imaturo e mimado, sempre escolhendo o prazer momentâneo, viajando sem se preocupar com emprego, conseguindo ser apresentador de TV sem muito esforço e vivendo uma vida desregrada.

A vida que os dois levam não é o que o leitor deseja pra eles (pelo menos comigo foi assim), mas aos poucos, as peças se encaixam, os dois amadurecem, a vida se mostra como realmente é e eles precisam arcar com as escolhas e/ou jogar tudo para o alto para se permitirem uma chance de felicidade. E é quando olham para trás que volta um sentimento de nostalgia, da urgência de serem jovens novamente que dá pra ouvir várias musiquinhas dos anos 90 tocando na sua cabeça, embalando as cenas e fazendo você se emocionar.

Nunca tinha lido nada de David Nicholls, mas parece que ele veio pra ficar e espero ler outros livros dele. Ele faz o Um Dia ser tão real que o final desnorteia qualquer um... E percebemos que é exatamente assim ele quer que fiquemos.

Mas falando de estética, a capa nova, com os atores do filme, é muito linda. Normalmente detesto quando colocam a capa do filme no livro, mas ela é tão fofa que dá vontade de ficar folheando a obra o tempo todo.

Sobre o filme:
Parece absurdo mas fizeram um filme igualzinho ao livro, pelo menos até onde puderam. A forma como a história é conduzida, a caracterização dos atores (Anne Hathaway e Jim Sturgess lindos, lindos!) e até pequenos detalhes (Como a forma como Emma sorri, o vestido que ela usa, as frases...), é tudo muito parecido. É um bom filme, mas acho que ele poderia ter explorado mais a emoção do que mostrar cenas corridas. Isso funciona no livro porque, bem, é um livro! E algumas coisas ficam um pouco confusas se você não leu a história. Mas no geral, é um bom filme, tem um trilha sonora bonita e é roteirizado pelo próprio autor.


A resenha ficou enorme! Mas e a opinião de vocês? O que acharam do livro/filme?



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