A Seleção - Kiera Cass

Resenha da Mikaela

A Seleção, de Kiera Cass, publicado pela Seguinte, é uma mistura de Jogos Vorazes com aquele reality show The Bachelor. E a mistura acaba interessante...
Para trinta e cinco garotas, a “Seleção” é a chance de uma vida. Num futuro em que os Estados Unidos deram lugar ao Estado Americano da China, e mais recentemente a Illéa, um país jovem com uma sociedade dividida em castas, a competição que reúne moças entre dezesseis e vinte anos de todas as partes para decidir quem se casará com o príncipe é a oportunidade de escapar de uma realidade imposta a elas ainda no berço. É a chance de ser alçada de um mundo de possibilidades reduzidas para um mundo de vestidos deslumbrantes e joias valiosas. De morar em um palácio, conquistar o coração do belo príncipe Maxon e um dia ser a rainha.Para America Singer, no entanto, uma artista da casta Cinco, estar entre as Selecionadas é um pesadelo. Significa deixar para trás Aspen, o rapaz que realmente ama e que está uma casta abaixo dela. Significa abandonar sua família e seu lar para entrar em uma disputa ferrenha por uma coroa que ela não quer. E viver em um palácio sob a ameaça constante de ataques rebeldes.Então America conhece pessoalmente o príncipe. Bondoso, educado, engraçado e muito, muito charmoso, Maxon não é nada do que se poderia esperar. Eles formam uma aliança, e, aos poucos, America começa a refletir sobre tudo o que tinha planejado para si mesma — e percebe que a vida com que sempre sonhou talvez não seja nada comparada ao futuro que ela nunca tinha ousado imaginar.
Então, depois de acontecer a Terceira Guerra Mundial, os Estados Unidos foram dominados pela China, devido à alta dívida que se acumulava, e o país passou a se chamar Estado Americano da China. Além disso, a Rússia também tentou entrar em guerra com o país, mas os antigos estados acabaram se unindo contra e após alguns percalços, conseguiram unificar o território, que passou a se chamar Illéa. O novo país tem um sistema de castas, em que Um é a realeza e Dois e Três são pessoas extremamente ricas. A partir da Quatro, entram os fazendeiros, depois os artistas, depois os empregados, até chegar na Oito, que é a extrema pobreza.

Depois dessa explicação, dá pra entender um pouco o mundo de America, que é da casta Cinco. Mas o que faz o livro se assemelhar a Jogos Vorazes? Há uma competição, mas com outro sentido. Todas as jovens da idade de America se inscrevem para a famosa seleção que elegerá uma para casar com o príncipe Maxon. Para muitas, é a oportunidade de subir de casta e sair da miséria, mas para America é apenas desespero, já que ela só quer ficar junto do seu amor, Aspen, da casta Seis.

Mas após Aspen fazer de tudo para que ela tenha essa chance, America, de coração partido, embarca na seleção, no palácio real,  que parece o reality show The Bachelor, com várias garotas disputando o mesmo cara, dando direito a ele ter os encontros que quiser e eliminar as candidatas que não forem do seu interesse. E aí que a competição começa nos bastidores, com fofocas e planos para eliminar as outras. Mas America acaba conquistando a atenção de Maxon, e aos poucos começa a ficar dividida entre ele e Aspen.

America é uma garota bonita, sem um pingo de interesse na realeza, sem medo de dizer o que pensa e que começa a refletir sobre a real condição do seu país, algo que vai aparecendo gradualmente no livro. E foi interessante porque no começo a realeza era tratada como "muito boazinha", mas aos poucos a protagonista vai percebendo que existe algo mais ali. Apesar de cabeça- dura, America é uma personagem legal, principalmente porque não cai logo no charme de Maxon. E o príncipe, apesar de toda a educação e cavalheirismo, é um rapaz que nunca se apaixonou e é bem menos experiente nisso do que ela, então é legal ver a interação dos dois e como ele é consegue ser atencioso e adorável, sem deixar de ter o pulso firme na condução da seleção.

Aspen é o oposto de Maxon. Apesar de muito bonito também, ele tem mais atitude, mais energia e não tem nada de tímido ou inseguro, deixando a America sempre caidinha quando ele aparece. Ele vai atrás do que quer e vai ser um páreo duro para o príncipe e uma confusão no coração de America, afinal, tem toda a fofura de Maxon e a atitude de Aspen... O que ela vai escolher?

Além disso, existe sempre a ameaça dos rebeldes tentando invadir o palácio, o que achei estranho no livro. Afinal, a realeza não deveria estar preparada para esse tipo de coisa? E o que eles querem, exatamente? Isso parece ter sido deixado a ser desenvolvido no próximo volume. Porque a própria história de lléa é mal explicada, e ninguém se liga muito que a Seleção serve como política de "pão e circo" para dar divertimento e esperança às massas. E Maxon também terá que se impor bem mais na política para ser levado a sério.

A Seleção é um livro bom, tem uma capa lindíssima, a história não é tão séria quanto Jogos Vorazes, mas vai evoluindo e quando acaba, você fica "como assim?". Ainda quero saber os segredos do país, se haverá alguma revolução, e claro, né, com quem America ficará. Mas espero que não se resolva de forma tão clichê, acho que essa coleção pode conseguir mais no próximo livro, que se chama A Elite. Ah, e também há um livro que conta os acontecimentos desse primeiro na visão de Maxon, que será algo como um conto, O Príncipe.

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