15 março 2013

Ladrão de Almas - Alma Katsu

Resenha da Mikaela

Ok, quer encarar um livro sombrio, cheio de pesquisas históricas, personagens densos e beeem perturbador?

Esse é o mundo de Ladrão de Almas, de Alma Katsu, da editora Novo Conceito.

Fazendo uma breve sinopse do livro (é melhor eu tentar o meu próprio resumo, senão a resenha já vira outro livro rs), a história começa quando uma mulher linda e misteriosa é detida pela polícia e levada ao hospital onde Luke Findley realiza seu turno. Divorciado e cansado da vida na pequena St. Andrew, o médico acaba ouvindo, fascinado, o relato que a moça, Lanore McIlvrae, tem para contar. Nascida na mesma cidade, só que no século XIX, na época dos puritanos, Lanny fala de como sua vida mudou ao se apaixonar pelo filho do fundador da cidade, Jonathan St. Andrew. A partir desse amor obsessivo, ela trilha um caminho que vai fazê-la encontrar seres imortais em Boston, cercada de luxo, poder, luxúria, opressão e muita angústia, podendo condenar a quem ela mais ama ao mesmo destino.

Bem, então vamos lá. O livro não é pra todo mundo. Não por ser ruim, de escrita ruim ou monótono, mas por ser denso mesmo. Apesar de a história girar em torno do amor imortal que a Lanny sente pelo idiota do Jonathan (Sim, ele é um idiota, depois eu chego lá), não há romance propriamente dito, nem entre ela e o fascinado Luke. Tudo ali se resume a sexo (muitas vezes, infelizmente, em forma de abuso, o que torna algumas passagens muito pesadas, angustiantes, mesmo que a escritora não detalhe tudo), jogos de poder e imortalidade. Que, aliás, não fala de vampiros. Não sei o porquê, mas passei um tempinho achando que eles eram vampiros, mas não são. São parecidos, só que andam no sol e não bebem sangue. Nada foi dito a respeito, a não ser que são simplesmente imortais.

Lanny é uma protagonista que desde sempre é obcecada em Jonathan e, apesar, de conseguir a afeição dele e muitas noites juntos, sabe que não é a mulher da vida dele (nem nunca será). Mas tal obsessão acaba fazendo-a cometer deslizes imperdoáveis numa cidade rigorosamente moralista e ela acaba indo para Boston, onde uma série de decisões (más decisões) a fazem alvo da trupe de Adair, um ser imortal cruel, temperamental e caprichoso. Logo, depois de privações e passagens angustiantes, ela se torna parte do bando e amante de Adair, mesmo sabendo que ao se tornar sua favorita, as coisas não serão nada fáceis para Jonathan.

Adair é um personagem parecido com os que vemos nos livros de Anne Rice (embora os dela sejam ainda mais bem construídos). Bonito, dominador, muito cruel, mas apaixonado por Lanny, ele sempre manipula a todos aos seu redor (Dona, Alejandro e Tilde) para que tudo saia de acordo com seus planos, sem se importar minimamente com os sentimentos de alguém. .As maldades que ele aplica nos outros são terríveis e, mesmo com a história que ele conta sobre si mesmo, não há um traço de humanidade ali que possa ser salvo, é assustador ver até onde vai tamanha crueldade. O pior é que ali, na história que Lanore conta, ele é o único que realmente é apaixonado por ela, o que é triste, visto que o seu amor é corrosivo e doentio.

Já Jonathan é aquele personagem que você simplesmente não entende o porquê de tanto auê. Muito bonito para o padrão normal, ele é mulherengo e só pensa em ter todas ao seu alcance e sempre se exime da paixão de Lanore, sabendo que se apenas se afastasse dela poderia melhorar isso. Mas não, ele é egoísta, vaidoso, e não tem coragem pra fazer nada, sendo a moça quem faz tudo no livro, todos os sacrifícios. Ele não é mau, mas sinceramente é entendiante.

O motivo que faz o livro levar o nome Ladrão de Almas só é revelado no final, mas é explosivo e dá uma outra dinâmica na história. A narrativa é escrita de forma que se pode percorrer muitas páginas sem perceber, mesmo com toda a informação de épocas antigas, descrevendo muito bem a mentalidade ao redor e situando o leitor naquele mundo. A capa é muito bonita, a tradução tem poucos momentos esquisitos, como no verbo "emprestar", que ficou confuso em uma cena (Para mim, pelo menos), mas bem isolada. Como já foi dito, a crueza e crueldade do mundo de Adair é o que choca e o que mais perturba. Quem prefere um romance propriamente dito, é melhor não ler, mas a história pode agradar quem curte livros mais sombrios.

Ladrão de Almas é o primeiro de Alma Katsu faz parte da trilogia Taker, e, embora essa história tenha um final mesmo, parece que não acaba por aí, e pelo que li, o mundo imortal mostrado é apenas o começo e o pobre Luke, que acha que está tudo muito distante dele, vai acabar se envolvendo, acho. 

Veja a coleção: 
- Ladrão de Almas 
- The Reckoning (não lançado no Brasil)
- The Descent (não lançado no Brasil)

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