O Pessegueiro - Sarah Addison Allen

Willa Jackson vem de uma antiga família que ficou arruinada gerações antes. A mansão Blue Ridge Madam, construída pelo bisavô de Willa durante a época área de Walls of Water, e outrora a mais grandiosa casa da cidade, foi durante anos um monumento solitário à infelicidade e ao escândalo. Mas Willa soube há pouco que uma antiga colega de escola – a elegante Paxton Osgood – da abastada família Osgood, restaurou a Blue Ridge Madam e a devolveu à sua antiga glória, tencionando transformá-la numa elegante pousada. Talvez, por fim, o passado possa ser deixado para trás enquanto algo novo e maravilhoso se ergue das suas cinzas. Mas o que se ergue, afinal, é um esqueleto, encontrado sob o solitário pessegueiro da propriedade, que com certeza irá fazer surgir coisas terríveis. Pois os ossos, pertencentes ao carismático vendedor ambulante Tucker Devlin, que exerceu os seus encantos sombrios em Walls of Water setenta e cinco anos antes, não são tudo o que está escondido longe da vista e do coração. Surgem igualmente segredos há muito guardados, aparentemente anunciados por uma súbita onda de estranhos acontecimentos em toda a cidade.
Resenha da Mikaela

Gente, quem leu a resenha de A Garota Que Perseguiu a Lua, sabe que eu fiquei louca pela autora, Sarah Addison Allen. Sério, essa mulher é demais! Com a nova publicação dela, O Pessegueiro, da editora Planeta, só fiquei imaginando se ela não é realmente mágica! Porque assim que você começa a ler, você se vê envolta numa magia instantaneamente. Juntando com a capa linda e a diagramação linda dos inícios dos capítulos, você logo vê que a autora sabe escrever. Ah, e quem gosta da série Hart of Dixie vai curtir. E também quem gosta do filme Da Magia à Sedução.

Então, temos duas personagens principais e seus respectivos interesses amorosos. Willa Jackson era a piadista da escola, saiu de Walls of Water, mas acaba retornando e abrindo uma loja de artigos esportivos e café. Os Jackson costumavam ser a realeza da cidade, há gerações atrás. Hoje não são mais ninguém. Willa  não é mais quem era antes, espontânea e feliz, o que se deve ao fato de que achava que o pai sentia vergonha dela. Na cidade, ela só tem uma avó como parente viva, Georgie, que perdeu a lucidez e vive num asilo. Com a chegada do belo Colin Osgood, irmão de Paxton, ela começa a tentar lembrar quem realmente era, já que ele a tem como inspiração.

Paxton Osgood é uma socialite de 30 anos que ainda vive com os pais, num anexo, e não quer largar as raízes da cidade, ao contrário dos outros personagens. Ela sempre anda com o cabelo e roupa perfeitos, coordena milhares de atividades no Clube Social Feminino (que foi fundado por sua avó, Agatha, e a de Willa, Georgie) e parece estar com tudo sob controle. Mas a angústia de ter a vida controlada pelos pais e a paixão que sente por Sebastian mostram que sua vida não é tão perfeitinha assim. Ah, Sebastian é um dos meus favoritos do livro. Muito lindo, mas de uma forma andrógina, ninguém sabe se ele é gay ou não. No colégio, ele usava maquiagem pesada e andava com pessoas do mesmo estilo, mas atualmente Sebastian volta como dentista, impecavelmente elegante, mas sem dar uma palavra sobre a sua sexualidade (Ele lembrou um pouco David Bowie nos anos 70).

Acontece que Paxton decide restaurar a Blue Ridge Madam, antiga casa dos Jackson, e durante a reforma, ao retirarem um pessegueiro do terreno, descobrem um esqueleto! E aí que Willa e Paxton, que nunca se deram bem antes, vão se unir para tentar descobrir o segredo que assola o passado de suas avós, e também acabam descobrindo uma amizade verdadeira ali.

Walls of Water é uma cidade cheia de tradições, superstições e um pouco de magia. Campainhas da loja de Willa que tocam sozinhas, fotos que mudam de lugar e um estranho aroma de pêssego que tomou conta da cidade. O livro fala, antes mesmo do romance, da importância da amizade. E mais especificamente, da amizade entre mulheres. Da amizade verdadeira, aquela que umas protegem as outras, especialmente em um mundo como o nosso. Com o passar das páginas, vemos que o esqueleto era de um homem terrível, que enganou toda a cidade e pôs as amigas umas contras as outras. Por conta disso, o passado da avó Georgie é horrivelmente tenebroso e o pacto de amizade que ela faz com sua melhor amiga, Agatha, perpassa os anos, e precisa ser reavivado atualmente.

Então Willa e Paxton, suas netas, acabam descobrindo que a amizade tem a pouco ver com o Clube Feminino da cidade e simplesmente com contar uma com a outra. E é realmente bonito. Porque a mensagem é essa, de união entre as mulheres contra todos o mal que a sociedade possa impor, acima de toda a inveja e competição. Vemos muitos livros que falam da amizade incondicional entre homens, mas com mulheres vemos mais inveja e raramente uma história de amigas é contada de forma tão bonita assim.

Com relação aos romances...

Começo do Spoiler

Willa e Colin começaram bem, mas não mostra como os pensamentos dele em relação à cidade realmente mudam e se mudam pra valer. Eles têm um final, claro, mas acho que a história deles podia ter sido melhor aproveitada. O destaque vai mesmo para Paxton e Sebastian. Eles são um casal muito legal e diferente. Você não sabe se Sebastian é mesmo gay até o fim do livro e Paxton ganha um carisma incrível ao enfrentar os pais no decorrer da história. Mas a história deles é a melhor, sem dúvida.

Fim do Spoiler

Gente, é isso. Normalmente você pensa que os livros da Sarah Addison Allen são feitos só de fofuras, mas ela acaba abordando histórias contundentes de forma delicada e sensível. A história do passado desse livro é mais triste do que de A Garota que Perseguiu a Lua, mas a forma como a autora encerra é um exemplo de como ela sabe escrever, emocionar, chocar, encantar e encantar de novo. 

O Pessegueiro é um livro que valoriza a força e as relações femininas como muito poucos, ao mesmo tempo que traz toda uma mágica inerente às histórias da autora. 

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