Juliette Society - Sasha Grey

Resenha da Mikaela

Se eu te contasse que existe um clube secreto, cujos membros pertencem à classe mais poderosa da sociedade – banqueiros, milionários, magnatas da mídia, CEO’s, advogados, autoridades, traficantes de armas, militares condecorados, políticos, oficiais do governo e até mesmo o alto clero da Igreja Católica –, você acreditaria? Este clube se reúne sem regularidade, em um local secreto. Às vezes em locais distantes e às vezes escondidos. Mas jamais duas vezes no mesmo lugar. Normalmente, nem mesmo duas vezes no mesmo fuso horário. E esses encontros, essas pessoas... não vamos enrolar, vamos chamá-las do que são, os Mestres do Universo. Ou o Braço Executivo do Sistema Solar. Então, essas pessoas, os Executivos, usam os encontros como uma válvula de escape do cansativo e estressante negócio de estragar ainda mais o mundo e criar novas maneiras sádicas e diabólicas de torturar, escravizar e empobrecer a população. E o que eles fazem em seu tempo livre, quando querem relaxar? Deveria ser óbvio. Eles fazem sexo. (Sinopse do Skoob)
Sabe aquele auê que fizeram com o lançamento de Cinquenta Tons de Cinza? Pois Juliette Society (236 páginas, Editora LeYa, selo Quinta Essência) faz o livro de E.L.James parecer um conto de fadas açucarado. Escrito pela ex-atriz pornô Sasha Grey, o livro chamou a atenção justamente pela autora, mas o conteúdo não decepciona quem pensa que se trata de um livro bem erótico e polêmico.

Juliette Society conta a história de Catherine, uma estudante de cinema que aos poucos começa a descobrir mais sobre a própria sexualidade, especialmente após assistir A Bela da Tarde. Ela passa a se interessar pelas aventuras sexuais de sua amiga Anna e logo passa a sair com ela e conhece o Juliette Society, um clube secreto onde as mais insanas fantasias se tornam realidade... Mas ela descobre que tudo tem um preço e que aquele lugar esconde segredos sombrios que vão além do sexo.

O começo do livro nos faz entrar na mente incrivelmente sincera de Catherine, com todas as suas fantasias com seu professor e opiniões sobre o sexo em geral, enquanto ela lida com o namorado um tanto concentrado demais no trabalho. Tudo é gradual e quando finalmente ela passa a conhecer as pessoas que a levam ao Juliette Society, a história parece fazer sentido. Mas não que até aí seja uma história pra qualquer um. Não é.

Não existe o romance nesse livro. Tá, ela tem um namorado, mas, pelo amor de Deus, o cara é uma presença completamente dispensável e só serve para aliviar a tensão sexual dela na história. Além disso, o que Catherine - ou seria a opinião da Sasha? - fala sobre sexo e a Bíblia podem chocar algumas pessoas, assim como a descrição de brinquedinhos sexuais que ultrapassam até os limites de livros BDSM da mesma editora e práticas sexuais beirando a doentias. A própria protagonista não tem tantas aventuras eróticas, mas se imagina nelas bastante e tem uma estranha obsessão por vídeos de sexo selvagem e sadomasoquista em alto nível de sua amiga Anna.

Então, existe toda essa - polêmica - construção da personagem até que enfim começa a trama da sociedade secreta. Só que o problema é que quando o livro chega no clímax de mistério... A história se resolve em poucas páginas, deixa um monte de explicações no ar e você fica: "Como assim?". Tanto desenvolvimento, reflexão, fantasias sujas, pra isso? Um final que não se dá ao trabalho de explicar melhor a sociedade ou o que acontece com outros personagens?

Terminei o livro com incredulidade, relendo passagens, buscando alguma resposta, mas nada. Só a certeza que ela poderia ter continuado a história, já que utilizou muitas páginas para aquele momento. Em vez disso, conhecemos alguns personagens nojentos, um namorado sem graça (E com atitudes sem sentido) e uma amiga louca.

Com todos esses percalços de narrativa, podemos ver que a autora é bastante confiante e tem uma escrita ágil, franca e com um estilo já bem demarcado. Diferentemente de E.L James, Sasha Grey tem uma visão mais amadurecida sobre a diversidade de práticas sexuais, além de conceitos freudianos, o que certamente a autora de Cinquenta Tons de Cinza não tem. Além do mais, você vê que ela procura desenvolver a personagem antes de fazê-la entrar nesse mundo. Vale observar que a autora entende muito de cinema e cita nomes famosos do Cinema Clássico como Hitchcock ou o filme A Bela da Tarde na história. Ela parece entender muito do assunto, o que adiciona informações interessantes à narrativa. Acredito que ela pode escrever livros melhores, já que me pareceu ser inteligente e ter consciência do seu estilo.

Eu acho que teria gostado muito mais do livro se o final me agradasse mais. Em termos de cenas eróticas, a autora dá asas à imaginação e descreve tudo muito bem, tendo desde sexo mais "normal"  a perversões ousadas até para este tipo de livro. Mas dá para ter uma visão diferenciada sobre este mundo obscuro e refletir sobre algumas coisas. Acho que quem gosta de erotismo somente em romance talvez não vá gostar, mas se ler, faça como ela diz e deixe suas inibições à porta. 

Avaliação (de 0 a 5) : 3, 5
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