Cruzando o caminho do sol - Corban Addison

Sita e Ahalya são duas adolescentes de classe média alta que vivem tranquilamente junto de seus familiares, na Índia. Suas vidas tranquilas mudam completamente quando um tsunami destrói a costa leste de seu país, levando com suas ondas a vida dos pais e da avó das meninas. Sozinhas, elas tentam encontrar um modo de recomeçar a vida. Mas elas não devem confiar em qualquer um... Enquanto isso, do outro lado do mundo, em Washington, D. C., o advogado Thomas Clarke enfrenta uma crise em sua vida pessoal e profissional e decide mudar radicalmente: viaja à Índia para trabalhar em uma ONG que denuncia o tráfico de pessoas e tenta reatar com sua esposa, que o abandonou. Suas vidas se cruzarão em um cenário exótico, envolto por uma terrível rede internacional de criminosos. Abrangendo três continentes e duas culturas, Cruzando o Caminho do Sol nos leva a uma inesquecível jornada pelo submundo da escravidão moderna e para dentro dos cantos mais escuros e fortes do coração humano.
Oi pessoal,

Pensem numa capa linda ao vivo? É a capa deste livro.

O romance de estréia do Corban Addison me conquistou, li rapidinho o livro com suas 448 páginas. Ahalya é a irmã mais velha e por seu amor à Sita tentará ser forte após sobreviverem ao traumático tsunami que as deixou órfãs.

O dia começou lindo e cheio de promessas, mas o tremor que Ahalya sentiu e deduziu ser mau presságio foi verdadeiro e aterrador. Ao ler a descrição, lembrei da garotinha de 10 anos que disse ter visto o recuo do mar antes da água avançar e conseguiu salvar turistas na Ásia em 2005. Infelizmente Ahalya consegue salvar apenas sua irmã. Ao invés de se abater ela pensa e decide ir até a escola onde estudavam, mas com a devastação não tinha transportes, após muito caminhar encontraram um conhecido de seu pai, mas o que parecia sorte revelou-se o início do pesadelo. As garotas são vendidas para um prostíbulo e por serem virgens o preço delas é mais alto. Cada noite elas sentem o medo de serem compradas.

O que gostei muito na escrita do Corban é que ele detalha muito o ambiente, mas em nenhum momento apelou para o sensacionalismo, nada de cenas fortes. Quando o inevitável acontece para a mais velha, a cena é mais uma indução. Como em filmes antigos onde o casal casa e vai para a noite de núpcias, você vê o beijo e o resto fica a seu cargo imaginar.

A Índia que o autor nos mostra é tão realista que senti estar vendo um filme. Temos outro personagem muito importante que é o Thomas Clarke, um advogado que é obrigado a tirar um ano sabático da empresa de advocacia e por uma série de coincidências escolhe trabalhar para a ACES, que atua na Índia contra a rede de prostituição.

Thomas é casado com Prya, mas sua determinação em subir de vida e uma recente perda acaba por afastá-los, ela retorna para a Índia, ele vê a chance de uma reconciliação, mas será que Priya está pronta para ouvi-lo? Será que ambos conseguirão enxergar onde erraram?

Em sua primeira missão de campo ele conhece Ahalya e não imagina no que se meteu ao aceitar usar a pulseira rakki. O que importa é que o presente da garota terá importância para Priya e sem pensar muito Thomas leva adiante sua promessa de tentar encontrar Sita.

Neste livro vemos um pouco de como funciona o submundo. É triste ver que as pessoas são tratadas como mercadoria, vivendo sob ameaças, trancadas. Durante a leitura não quis largar o livro, pois precisava saber o que aconteceu com Sita, se Thomas conseguiria ou não encontrá-la, se ele e Priya ficariam juntos. O que aconteceria com Ahalya? As irmãs se reencontrariam?

Foram horas de aflição que me fizeram suspirar ao terminar, pois esta obra tem tudo o que eu adoro: ação, suspense, romance (mesmo num momento tão tenso).

Os personagens secundários são ótimos, uns vocês irão amar, outros te deixarão com um ódio tremendo, rezando para que tenham o que merecem.

Os capítulos são divididos entre o ponto de vista de Ahalya, Thomas e Sita. Não fica confuso em nenhum momento, e ajuda bastante conhecer os pensamentos de cada um.

Ahalya e Sita nos mostram que apesar de todo sofrimento e toda adversidade, a fé nos mantêm vivos, que as lembranças são importantes, mas também frágeis. Com um mocinho que vai conquistar você, e diversos cenários que serão descritos e que acabarão por abrir os olhos de algum para o fato de que não ocorre apenas na Índia, a prostituição infantil é mundial.

Gostaria muito de que existissem milhares de Thomas Clarke espalhados pelo globo. E a sua maneira cada uma das irmãs se esforça para agir como a outra, para buscar forças diante das provações.

Se você quer emoção, não perca tempo e comece a leitura de Cruzando o caminho do sol. Nem tudo são flores, mas vale a leitura. Tudo é bem balanceado.

O único, porém foi que Ahalya telefona para o colégio e avisa que está tentando chegar lá. Elas não aparecem e ninguém dá por falta delas? Foi um ponto que me incomodou bastante.


 Deixo vocês com uma citação que adorei:


“No mundo real, a única certeza era a dúvida”

Classificação (0 a 5): 4

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