Marina - Carlos Ruiz Zafón




Depois de ter lido já há algum tempo A Sombra do Vento, voltei à Barcelona de Carlos Ruiz Zafón, com toda a poesia e melancolia que ele dedica aos seus escritos.

Marina, de Carlos Ruiz Zafón (Editora Suma das Letras, 189 páginas) conta a história de Óscar Drai, que tem 15 anos e vive num internato. Em suas andanças pela cidade, ele acaba encontrando uma mansão abandonada e acaba entrando lá. Ao ouvir um barulho, ele se assusta e sem querer acaba levando um relógio de bolso antigo. No dia seguinte, ele volta para devolver o objeto e conhece Marina, a linda adolescente que mora ali com o pai, Germán, e o gato Kafka.

Sendo aquele tipo de gente que tem mania de detetive, ela o leva, então, ao cemitério para tentar desvendar o mistério de um mulher vestida de preto que sempre surge ali no mesmo dia e na mesma hora para visitar um túmulo. Só que depois disso, eles embarcam numa sombria aventura, em que misteriosas mortes de pessoas ligadas a um antigo milionário na cidade começam a acontecer, enquanto tentam desvendar o que há por trás de um álbum de fotos estranho.

O livro é um misto de tristeza, saudade e aventura. Só Carlos Ruiz Zafón para conseguir inserir adrenalina enquanto fala poeticamente da chuva, dos prédios antigos, da antiga riqueza em Barcelona. Sem falar na admiração - e amor- que Óscar começa a sentir pela amiga e nunca entendemos completamente as reações dela... Até o fim do livro.

O mistério que ronda é como o mistério de A Sombra do Vento, com reminiscências dos tempos áureos de Barcelona, muita tristeza e lembranças deixadas. Sem falar no tom quase sobrenatural que a maior ameaça do livro adquire quando é revelada, com cenas arrepiantes e perturbadoras (A começar pelo álbum de fotos e os manequins na estufa). E as histórias dos envolvidos... Acho que esse superou A Sombra do Vento em tristeza nas histórias. Cada um tem uma parcela de infelicidade (Outros mais, outros menos), o que passa a impressão se alguém realmente é feliz ali.

Os personagens, como sempre, são bem escritos, humanizados, cheios de matizes. Só senti falta de que Óscar tivesse alguma amizade efetiva no orfanato, para que não passasse essa ideia de solidão do menino. Marina, a personagem-título, é uma incógnita até o fim da história, sendo muito racional e quase não demonstra emoção, por motivos que vamos entender mais tarde. Só não sei se ela passou algum carisma por si própria ou se era mais da admiração que Óscar sentia por ela.

Apesar de curto e cheio de aventuras, esse livro é um tanto medidativo, tanto que demorei a ler. São tantos sentimentos que o livro evoca que não considero uma leitura simplesmente para passar o tempo. Considero que mesmo com o que o autor planejava para o final, a história poderia ter alguma leveza, um raio de luz no meio de um céu nublado...Mas quando você termina, tem uma sensação de ler lido algo bem escrito, mas dá uma tristeza...

Quanto à capa, ela transmite bem as sensações do livro, mas aquela não seria a Marina para mim.Para quem gosta da belíssima escrita de Carlos Ruiz Zafón é recomendado e na verdade até para quem não conhece. Mas se fosse indicar algum livro para começar o autor, eu indicaria A Sombra do Vento.


Avaliação (de 0 a 5): 4,0

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