O Menino dos Fantoches de Varsóvia - Eva Weaver


O Menino dos Fantoches de Varsóvia
Editora: Novo Conceito
Autora: Eva Weaver
400 páginas
Original: The Puppet Boy of Warsaw
Sinopse:Mesmo diante de uma vida extremamente difícil, há esperança. E às vezes essa esperança vem na forma de um garotinho, armado com uma trupe de marionetes – um príncipe, uma menina, um bobo da corte, um crocodilo... O avô de Mika morreu no gueto de Varsóvia, e o menino herdou não apenas o seu grande casaco, mas também um tesouro cheio de segredos. Em um bolso meio escondido, ele encontra uma cabeça de papel machê, um retalho... o príncipe. E um teatro de marionetes seria uma maneira incrível de alegrar o primo que acabou de perder o pai, o menininho que está doente, os vizinhos que moram em um quartinho apertado. Logo o gueto inteiro só fala do mestre das marionetes – até chegar o dia em que Mika é parado por um oficial alemão e empurrado para uma vida obscura. Esta é uma história sobre sobrevivência. Uma jornada épica, que atravessa continentes e gerações, de Varsóvia à Sibéria, e duas vidas que se entrelaçam em meio ao caos da guerra. Porque mesmo em tempo de guerra existe esperança.

Sabe aqueles livros que depois acabam ainda ficam pairando no ar, como se os personagens não tivessem ido embora ao fim das páginas? Então. Bem, ultimamente eu tenho lido livros muito bons, viu...

O interessante de livros sobre a Segunda Guerra Mundial é que há sempre novos acontecimentos a serem tratados com histórias fascinantes. Esta é uma delas. Eu não tinha conhecimento sobre a Revolta do Gueto de Varsóvia, por exemplo, e nem sobre a vida dos soldados nazistas nas gulags (campo de concentração) soviéticas após a derrota. Mas esse livro traz tudo isso em meio a tantas vidas entrelaçadas nesse momento sombrio da nossa história.

A primeira parte do livro conta a história do garoto judeu Mikhail, mais conhecido como Mika, que encontra no casaco de mil bolsos escondidos do seu avô, alguns fantoches e se apaixona por eles. É somente através do teatro de fantoches que Mika e sua prima - e grande amor - Ellie conseguem sobreviver e dar esperança para os judeus oprimidos no gueto após a chegada dos nazistas. Em meio à escassez de comida, medicamentos e até de dignidade, os fantoches conseguem tocar o coração das pessoas.


Sabe, Mika, todos esses músicos, atores e cantores ainda são capazes de tocar nossos corações, mesmo em tempos tão difíceis como este (...) Sei que é difícil lembrar disso quando estamos com fome o tempo todo, mas não podemos nos esquecer do poder da música, e dos seus fantoches - página 82

A primeira parte ainda retrata a ida de muitas pessoas aos campos de concentração nazistas e a revolta dos judeus do gueto, que resultou na sua destruição. Cerca de 300 mil pessoas foram mandadas aos campos de concentração antes da revolta.

A segunda parte do livro fala do soldado Max, que simpatizou com Mika e tentou - como pôde - ajudá-lo. Quando já vimos os horrores que os soldados alemães sujeitaram os judeus, é hora de ver o que os soldados russos fizeram com os nazistas. E assim acompanhamos a ida dos nazistas para a Sibéria, para as gulags, para trabalhos forçados no meio da nevasca inclemente da Rússia e a jornada de Max para conseguir voltar para casa. O terceiro capítulo se passa nos dias atuais e serve como ligação entre os dois anteriores.

O Menino dos Fantoches de Varsóvia fala de muitas coisas e muitos acontecimentos, o que talvez não permita desenvolver e dar carisma para alguns personagens - como Ellie, por exemplo. Eu não consegui simpatizar com a moça, especialmente no final do primeiro capítulo. Para dar um panorama mais amplo do que acontecia ali, a autora falou brevemente de algumas situações para apressar a história, o que agilizou a leitura,mas - como já falei - não desenvolve sentimentos que teríamos em alguns personagens.

O mais desenvolvido, talvez, foi Max, com todo o seu sofrimento, tortura e vergonha pelo que participou ao atuar como soldado no Gueto de Varsóvia e como isso repercutiu nos seus descendentes. É isso, acho que o personagem de Mika se desenvolveu na adolescência, mas não vemos como isso o afetou detalhadamente na idade adulta ( E isso não é spoiler, porque o livro começa com ele idoso).

A diagramação é boa, só não gostei muito da capa. Acho que ficou muito parecido com outro livro do gênero, O Menino do Pijama Listrado, e são histórias bem diferentes. Acho que esse livro merecia uma identidade própria, sem remeter a outro de capa parecido. Mas fora isso, a parte interna tem detalhes de fantoche antes de cada parte e detalhes de arames farpados antes de cada capítulo.

Enfim, se você se interessa por livros dessa temática, a exemplo de A Menina que Roubava Livros, você pode gostar, sim, desse livro. Conheça a história de Mika, como você deve ter conhecido a de Liesel, do livro de Markus Zusak. E se deixe se emocionar, torcer e conhecer mais sobre essas histórias tão tristes que povoaram a época. 

Obs.: Ao final, a autora colocou a história de cada uma das personalidades históricas que realmente existiram e participaram da história.


Avaliação (de 0 a 5): 4,0


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4 comentários:

  1. Sabe que até fui ver a capa em inglês para saber ser era melhor?? Infelizmente é a mesma... =(
    Gosto de livros com essa temática, fiquei bastante interessada em ler esse...

    beijos,

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  2. Olá Mikaela!
    Gosto de livros que falem sobre a segunda guerra mundial... sou apaixonada por história, então, tudo isso me encanta.
    Achei a capa muito linda, e me lembrou a de O menino do pijama listrado,que traz este mesmo tema.

    Beijos!!

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  3. Dé,
    É mesmo? Nem fui procurar a capa no original, mas acho que deviam pelo menos ter mudado a capa brasileira...

    Vitoria,
    Eu também adoro livros que falam sobre a História. A capa lembra muito O Menino do Pijama Listrado mesmo.

    Bjs!

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  4. Olá!

    O mais curioso dessa história é saber que na Segunda Guerra Mundial valeu aquele ditado "Olho por olho, dente por dente" e que é ainda é muito seguido, principalmente quando se acha que está fazendo justiça. Sei que há gente que merece ser punida pelas coisas terríveis que faz (principalmente no caso do nazismo), mas negar o direito a mudar e a ser arrepender para quem quer voltar a seguir o caminho do bem é tão criminoso quanto foi o holocausto.
    Realmente a esperança surge nos pequenos gestos, como os de Mika e seu fantoches.

    Um abraço!

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