O guardião - Daniel Polanski

O guardião
Autor: Daniel Polanski
Título original: Low Town
Editora: Geração Editorial
Ano 2012
448 páginas
Hoje, quando você sair à procura de Yancey, o Rimador, e tiver de abrir caminho em meio às prostitutas, aos valentões e aos viciados loucos por mais um dia de cheirada ou um trago, você irá se deparar com o corpo de uma criança. O cadáver exala um odor que não é dele, um cheiro que recende a magia e a um lugar, se Sakra quiser, para o qual você jamais irá querer voltar. Não fique tempo demais de bobeira perto do corpo; os gélidos vão querer saber o que você fez e o que há na sua bolsa. E quando eles te pegarem, é para a Casa Negra que você irá, onde o Comandante fará uma oferta que você não terá como recusar. Bem-vindo a um mundo como nenhum outro, com uma linguagem estranha e rica e uma violência tão sombria quanto o mais negro dos noites.

O guardião é um livro com cenas fortes, com um mocinho que é o anti herói, ele bebe, se droga, vende a droga, mas se tem algo que você não pode alegar sobre ele é falta de caráter.

Quando o guardião se depara com o corpo de uma garotinha largado num canto qualquer e de maneira suspeita, ele jura que não vai se envolver, mas acaba metendo o nariz aonde não é chamado. O que lhe traz ainda mais problemas.

O guardião é um ex-Gélido, que são os agentes da Coroa na Cidade de Rigus, nas Treze Terras. Ele foi exonerado e agora está do outro lado da lei, porém seus instintos o levam a buscar uma resposta para os pais da garota.

Não temos o nome dele, mas é impossível não sentir certa afeição pelo personagem, mesmo quando ele é teimoso como uma mula, seu humor é sarcástico e não poupa sequer ele próprio.

Adolphus é o sócio dele no bar, um gigante com o qual lutou na guerra e não resta dúvidas sobre a amizade deles. Ao lado do grandão tem Adeline a pequena e rechonchuda esposa que é calma, mas quando necessário sabe dar um belo sermão.

O Grou Azul é o mago protetor da cidade, ao que tudo indica ele está cada dia mais doente. E para substituí-lo há Célia, uma mulher que foi salva pelo Guardião quando criança.

O autor criou uma cidade com seus próprios costumes, um mundo novo que apesar de diferente tem suas igualdades com a realidade. As crenças que para alguns são fortes, outros não se importam. Mas não esperem ler nomenclaturas conhecidas como Deus, Morte, etc. Aqui você se depara com Sakra, Prachetas e Aquela que espera por trás de todas as coisas.

Acompanhar O Guardião pelas ruas da Cidade Baixa é arriscado desde os perigos das gangues como aos métodos nada pacíficos empregados pelo mocinho.

Particularmente eu gostei dessa mudança. Um mocinho que não bobeia, não preocupa-se em agir certinho com a lei. Foi uma grande e agradável diferença, pois no fim das contas ele sai como herói. 

Numa mistura de magia, ação, princípios e bandidagem, Daniel Polanski nos mantêm grudados até que as pontas sejam amarradas e os mistérios revelados.

Digo apenas que é surpreendente a resolução de quem está por trás do desaparecimento das crianças.

Um livro que fala a seu modo sobre corrupção, o abuso do poder, o crime organizado. E nos leva a questionar até que ponto conhecemos as pessoas.


Nota (0-5): 3,5

6 comentários:

  1. Oi Dani...

    Eu tenho certa dificuldade em ler livros que se passam em lugares criados, geralmente é muita informação para minha cabecinha assimilar... mas confesso que fiquei curiosa com esse anti-herói...

    beijos,

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    1. Oi Dé, Rigus parece bastante com nosso mundo, então... não vejo como confundir demais. Os elementos de magia trazem beleza à trama. Você precisa dar uma chance ao Guardião. =)

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  2. Oi Dani, gostei, ainda mais porque não conhecia o livro. Um tema atual visto sobre um ângulo diferente.
    Bjs, Rose.

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    1. Oi Rose, O livro é pouco conhecido,só o descobri por conta do lançamento do segundo. Valeu e muito a leitura.

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  3. Olá!
    Que interessante! Várias coisas novas, mesmo sendo baseado em uma realidade eu achei o enredo bem original. E livros em que o protagonista é um anti herói são bem raros.
    Ótima resenha,
    Bjs

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    1. Oi Léo, Ele tem temas que condizem com nossa realidade, mas a fantasia também tem seu peso. Um mocinho às avessas acaba sempre atraindo atenção, não é?

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