Bom Dia, Sr. Mandela - Zelda la Grange




Bom dia, Sr. Mandela

Bom Dia, Sr. Mandela conta a extraordinária história de uma jovem que teve suas crenças, preconceitos e tudo em que sempre acreditou transformados pelo maior homem de seu tempo. A incrível trajetória de uma datilógrafa que, escolhida para se tornar a mais leal e devotada assessora de Nelson Mandela, passou a maior parte de sua vida trabalhando ao lado do homem que ela passaria a chamar de Khulu , ou avô.

Uma palavra para descrever esse livro? Inspirador. Bom dia, Sr. Mandela me trouxe algumas lições valiosas que eu pretendo levar para o resto da vida. Mais do que um livro que conta a história de alguém, Bom dia, Sr. Mandela é um livro que ensina e faz refletir. 

Diferente do que eu pensava, esse não é um livro que nos conta a biografia de Nelson Mandela. Ele é escrito por Zelda la Grange, que foi sua secretária pessoal e esteve ao seu lado desde quando ele se tornou presidente, até a hora de sua morte. É através do relato da vida dela, de como ela conheceu Mandela e baseada em sua relação com ele que conseguimos entender um pouco desse homem que ainda é (e sempre será) um herói para muitos. Nelson Mandela representa a luta contra o preconceito e contra a opressão de toda uma população.

Logo no começo do livro somos apresentados a Zelda, que nos conta a sua infância. Ela viveu um pouco da época do apartheid, quando os negros e os brancos eram divididos na sociedade africana. Lá funcionava basicamente assim: brancos podiam votar, negros não; brancos podiam circular livremente pelas cidades, negros não; brancos podiam ter um estudo privilegiado, negros não. Os negros não podiam ser misturar com os brancos em hipótese alguma e as crianças africâneres (brancas) foram ensinadas desde pequenas a agir assim. Zelda nos conta que seus pais a ensinaram a temer os negros e ela até mesmo acreditava que se tocasse neles poderia pegar alguma doença. O preconceito e a segregação faziam parte da educação das crianças daquela época. Sendo assim, é compreensível que Zelda tenha crescido sem questionar todo o preconceito que existia em sua volta. Sua vida andava bem, ela tinha uma vida de classe média e sempre fora muito focada em seus estudos e na sua carreira profissional (depois do pai cortar pela raiz o seu sonho de ser atriz). Ela não precisava e não queria se envolver com política e quando escutou no rádio que Nelson Mandela tinha saído da prisão, considerou que ele era um  terrorista, comunista e inimigo, conforme seu pai lhe dissera. Mas ela mal sabia que esse seria o homem que mudaria sua vida e a libertaria de todos os preconceitos um dia. 


Mais pra frente, quando Zelda se vê diante de um rompimento em seu noivado, ela decidi que a melhor maneira para esquecer os problemas e seguir em frente, é focando em seu emprego que era na área administrativa em um prédio importante. Mas pra ela, aquele emprego não bastava, ela agora buscava algo que testasse seus limites, algo que fosse desafiador para ela no quesito profissional, e então decide se candidatar a uma vaga (mesmo sendo um cargo menos importante do que o que ela ocupava) para ser datilógrafa da secretária pessoal do prefeito Mandela, que tinha acabado de assumir o cargo e estava implementando novas pessoas em sua equipe. 


É através desse emprego que ela passa a conhecer, aprender e depois admirar a figura de Mandala (ou Khulu, como ela pessoal a chama-lo, que significa vovô em africâner). 

Não quero contar quais experiências ela passa com ele, pois quero deixar uma pitadinha de curiosidade em cada um de vocês e quero que sintam tudo o que eu senti lendo esse livro. O jeito que Zelda vai desconstruindo seu preconceito, como ela começa a perceber que os negros são iguais aos brancos e que ninguém merece ser desprezado pela cor da pele ou por qualquer outra diferença, é incrível. Nelson Mandela transformar a vida dessa mulher para melhor, assim como, através do relato dela nesse livro, acredito que vá transformar a vida de cada um que dedicar um tempo para lê-lo. 

Nota: 5,0. 


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1 comentários:

  1. Aline,
    Eu sou anti biografia, mas quando a história é contada por outra pessoa ainda me arrisco...
    Gostei dos pontos que você apontou quanto a criação preconceituosa, e fiquei imaginando como a Zelda derrubou o conceito de que Mandela era um inimigo.
    Deve ser uma ótima leitura.

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