Fique Onde Está e Então Corra - John Boyne


Alfie Summerfield nunca se esqueceu de seu aniversário de cinco anos. Quase nenhum amigo dele pôde ir à festa, e os adultos pareciam preocupados - enquanto alguns tentavam se convencer de que tudo estaria resolvido antes do Natal, sua avó não parava de repetir que eles estavam todos perdidos. Alfie ainda não entendia direito o que estava acontecendo, mas a Primeira Guerra Mundial tinha acabado de começar.

Seu pai logo se alistou para o combate, e depois de quatro longos anos Alfie já não recebia mais notícias de seu paradeiro. Até que um dia o garoto descobre uma pista indicando que talvez o pai estivesse mais perto do que ele imaginava. Determinado, Alfie mobilizará todas suas forças para trazê-lo de volta para casa.







Mais um livro do John Boyne. Mais um livro inesquecível que me fez transbordar de sentimentos.

Alfie está ansioso para a sua festa de aniversário de cinco anos. Logo que chega em casa da escola, já começa a se preparar e se entusiasmar com os presentes e com os convidados. Todo mundo ficou de vir, todos os amigos da escola e todas as pessoas da rua Damley. Mas ao chegar a hora da comemoração, as únicas pessoas que compareceram são: sua melhor amiga Kalena e o seu pai, Sr. Janacek, o vizinho velho Bill Hemperton, a vovó Summerfiel, e Joe Patience, o melhor amigo do pai de Alfie, tirando, é claro Gorgie e Margie, pais de Alfie.

O garoto percebe que algo está acontecendo e que todos estão apreensivos e quando a sua avó começa a murmurar sem parar que 'todos estão perdidos', ele começa a ficar mais assustado. Era o começo da Primeira Guerra Mundial. O começo de um nova vida para Alfie que, mesmo tão novinho, iria sofrer as consequências terríveis que somente uma guerra devastadora pode causar.

No começo, os homens maiores de 18 anos não eram obrigados a se alistar, mas pensando que um dia seriam e que a ocasião poderia ser bem pior, o pai de Alfie, George, resolve se voluntariar para o combate, contrariando as súplicas da esposa e da mãe. Ele então parte para a guerra.

Se passam quatro anos desde que o pai foi para o treinamento. As cartas começaram a ficar cada vez menos frequentes até que pararam. Alfie sabe que sua mãe está mentindo sobre o paradeiro de seu pai. Ela diz que Georgie está em uma missão secreta que fará com que a guerra termine mais rápido, mas Alfie acredita que seu pai está morto.

Muitas coisas mudaram desde que o pai desaparecera para a guerra. Margia estava trabalhando que nem louca para conseguir sustentar a família, mas mesmo costurando para fora, lavando roupas e ainda fazendo muitos turnos como enfermeira, o dinheiro quase nunca era o suficiente, bastava apenas para que eles não chegassem a miséria.

Vendo a situação da mãe, Alfie decide ajudar. Ele encontra uma caixa de engraxate na antiga casa do Sr. Janecek e começa a trabalhar na estação de Kings Cross todos os dias em segredo, depois que a mãe sai para trabalhar (menos às segundas e quartas que tem aula de história e leitura). Assim, o menino passa os seus dias escutando os problemas de todos os homens que colocam os pés em sua caixa, até que um dia descobre uma pista de que talvez seu pai não esteja morto e uma gotinha de esperança de que algum dia tudo posso voltar a ser como antes, surge no coração de Alfie. 

Não tem como não se emocionar quanto você lê sobre a perspectiva de alguém que viveu em plena guerra e quando essa pessoa é uma criança, parece que é mil vezes pior. Mas, diferente de Bruno, protagonista de O Menino do Pijama Listrado, Alfie não é de todo inocente. Ele entende o que é a guerra porque sofre as consequências dela na pele, porque perde tudo o que é importante para ele no começo dessa guerra terrível. Ele é um garotinho muito esperto e chego até mesmo dizer que está a frente de seu tempo. Ele mostra ser independente, curioso e meigo. O jeito com que Alfie se preocupa com a mãe, é a coisa mais linda desse mundo. 

Alfie pode até ser um personagem que conquista nas primeiras folhas, mas não é o meu favorito desse livro. Esse posto quem ocupou foi Joe Patience, que só vai ter uma grande importância mais para o final do livro. Ele é um cara 'dono de si mesmo', como costumava falar Bill Hemperton, e tem suas próprias convicções políticas e as defende com unhas e dentes se precisar. Tão diferente do significado do seu nome, Joe é um cara que luta pelo que acredita e se rebela contra toda a forma de violência.  É um personagem que aparece pouco, mas traz consigo grandes lições. 

Acho que ficou claro o quanto eu amei esse livro. Sempre gostei de ler sobre as guerras e John Boyne mais uma vez me surpreendeu com a simplicidade e genialidade da sua narrativa. 

Indico esse livro para todos, sem exceção. Mas se prepara para grandes emoções. 


Nota: 5,0 


1 comentários:

  1. Que livro legal Aline... não imaginava que essa fosse a história... também gosto muito de livros que se passam durante a guerra e gostei muito do Menino do Pijama Listrado... vou procurar ler esse também!!

    beijos

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