Enquanto Bela Dormia - Elizabeth Blackwell

Autora: Elizabeth Blackwell
Editora: Arqueiro
368 páginas
Original:While Beauty Slept
Sinopse:  

Quando a rainha Lenore não consegue engravidar, recorre aos supostos poderes mágicos da tia do rei, Millicent. Com sua ajuda, nasce Rosa, uma menina linda e saudável. No entanto, a alegria logo dá lugar às sombras: o rei expulsa de suas terras a tia arrogante, que então jura se vingar. Seu ódio se torna a maldição que ameaça a vida de Rosa. Assim, a menina cresce presa entre os muros do castelo, cercada dos cuidados dos pais e de Flora, a tia bondosa e dedicada do rei que encarna a fada boa do conto original.

Mas quando todas as tentativas de proteger Rosa falham, é Elise, a dama de companhia e confidente da princesa, sua única chance de se manter viva. E é pelos olhos dessa narradora improvável que conhecemos todos os personagens, nos surpreendemos com o destino de cada um e descobrimos que, quando se guia pelo amor – a magia mais poderosa do mundo –, qualquer pessoa é capaz de criar o próprio final feliz.


Atenção: esse livro vai deixar você com aquela saudade pós-leitura e pode ser difícil começar a ler outro logo após.

Mas apesar da capa liiiinda, ele é bem realista, sombrio e com poucos toques de conto de fada. E por que ele é bom? 

1. A história é contada sob o ponto de vista da dama de companhia da rainha. Quantos livros focam no ponto de vista do coadjuvante? A visão é muito mais abrangente quando contada por alguém "gente como a gente".

2. Elise é uma das melhores protagonistas que já vi, com uma praticidade, "frieza", paixão e coragem que lembram Claire Beauchamp, de Outlander (e isso é um grande elogio).

3. Você realmente vai sentir arrepios de Millicent, embora ela seja uma dama normal e não a feiticeira da Disney.


Bom, se eu for listar tudo, essa resenha vai parecer lista de supermercado rs Além de tudo isso, podemos destacar a força das mulheres na história contra uma sociedade injusta e opressora. 

A mãe de Elise era costureira no palácio, até se envolver com um nobre e engravidar da menina. A partir daí, ela se casa com um homem do campo até que a filha resolver seguir os passos da mãe e tentar a vida no castelo (sob circunstâncias que não vou revelar).

Obstinada, focada e competente, Elise consegue se tornar dama de companhia da melancólica rainha Lenore e presenciar a influência maligna da tia do rei, Millicent (o nome Malévola é bem similar né? Pelo menos no inglês, Maleficent) que consegue que a rainha engravide depois de anos tentando através de magia obscura. Mas o rei a expulsa do reino e é aquilo que todo mundo sabe, ela amaldiçoa a bebê.



Mas a história se foca mais na vida de Elise ao transcorrer dos anos seguintes. E é aí que reside a parte mais sensual da história, principalmente quando passa pelo grande amor dela e todo o rumo que sua vida segue. Não posso dizer nada, mas essa parte não é romântica como nos livros mais açucarados, mas traz toda a força do amor verdadeiro e das paixões febris.

Capa original.
Até que enfim, perto do fim, vemos o clímax da história, que, no original, seria a princesa espetar o dedo na roca e cair em sono profundo. Mas não é assim que acontece. Na verdade, se há mágica ou não, fica muito sutil. Mas a maldição de Millicent se manifesta de forma bem humana.


Então espere um lado bem mais medieval, sombrio e realista dessa história, sem grandes demonstrações de magia, mas com mais complexidade - que justamente faz você se importar tanto com o que acontece no final. Você vai ver mais a história de Elise do que a princesa Rosa, mas, acredite, isso é o melhor. 

Quando você acompanha todo o desenrolar desde o começo pelo olhar inexperiente da jovem Elise ao ápice da maldição pelos olhos cansados da Elise mais madura, o choque é intenso e vai deixar esse livro marcado na memória.

Para quem gosta de uma protagonista prática, ponderada e forte, leia. Para quem gosta de realismo nos contos de fada, é leitura obrigatória.


Avaliação (de 0 a 5):5,0





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