Repense o tamanho de seus problemas lendo "Uma longa queda, Nick Hornby"

Quatro personagens sem nada em comum, a não ser a vontade de botar um ponto-final em suas vidas, se encontram no alto de um prédio em Londres, na noite de Ano-Novo. Tomados pelo impulso solidário de não permitir que os outros se atirem, os dois homens e as duas mulheres acabam adiando a decisão de morrer e formam um peculiar grupo de apoio à vida.

Mas o pacto de sobrevivência é descoberto pela imprensa local, que se regozija com a história pouco convincente de que naquela noite o apresentador de tevê Martin Sharp e seus amigos receberam a visita de um anjo que lhes convenceu a não pular. O que o público não sabe é que a história fantasiosa foi inventada como parte dos planos de sobrevivência criados pelos quatro, que, imbuídos da tarefa de se manterem vivos até pelo menos o Dia dos Namorados — outra data bastante requisitada para suicídios —, têm como objetivo apenas tornar a vida mais divertida até o próximo compromisso.

Utilizando os recursos narrativos que consagraram seus livros anteriores, Nick Hornby emprega em Uma longa queda o humor autodepreciativo e as referências à cultura pop, mas prepara uma surpresa para os leitores ao tratar de temas tão polêmicos como o suicídio, a pedofilia, o abandono afetivo da família e a incapacidade mental. Tidos como especialidades da ciência ou material para a literatura de autoajuda, os abismos psíquicos e sociais surgem no livro em sua forma mais evidente e humanizada, como histórias vividas por pessoas comuns — e que por isso mesmo não escapam de um certo ridículo da experiência do dia a dia.

Uma Longa Queda (A Long Way Down)
Autor: Nick Hornby
Companhia das Letras (2014)
336 páginas 


Escolhi este livro por dois motivos: a capa ilustrada, um de meus pontos fracos na hora de escolher livros; e por ser relativamente curto.

Foi o primeiro contato com a escrita de Nick Hornby. E o que posso dizer?

Nick Hornby tem um estilo narrativo leve, fluido, com um humor bem colocado e variável de acordo com cada personagem.

Somado a isto não encontrei erros de revisão e de certeza quero ler outros dele.

Porém vamos aos motivos para tamanho apreço.



Londres - um dos lugares que sempre quis conhecer, no entanto você não quer saber disso. 

Mais precisamente o telhado do Topper's House, o famoso prédio do qual os suicidas adoram saltar, mas não adianta procurar, este prédio é fictício.

Último dia do ano, e os suicidas acham que a data seja ótima para tirar suas próprias vidas.

O que nossos quatro protagonistas não imaginam é que terão companhia ao chegar no telhado.

Daí você questiona qual a graça num livro que aborda este tema?

O autor intercala a narrativa dos quatro personagens de maneira que sabemos como planejaram aquele momento, seus motivos e com estes ingredientes nos faz analisar nossa própria situação.

Os quatro mocinhos são bem acertados, com um perfil psicológico bem definido e absolutamente contrastante.

Nossos quase suicidas são ótimos para estarem sob o telescópio.

Martin Sharp com seu negativismo, porém com sua visão clara sobre seu problema, acredita que é o melhor a fazer.

(...)e a tudo que tinha me impulsionado ali para cima feito um pacote de salgadinho numa lufada de vento. (Martin Sharp)

Mas a chegada de Maureen uma senhora bem educada o faz perder o momento.

E enquanto trocam palavras a contragosto eis que surge uma adolescente maluca que também está propensa a voar telhado abaixo.

Jess é instável, impulsiva, mas a medida que acompanhamos a trama podemos ver outras nuances. 

E enquanto Martin e Maureen lidam com a maluca da Jess... Surge JJ, o entregador de pizzas que gosta muito de ler.

Ah o JJ, com certeza me conquistou por seu amor aos livros, sem contar que nos presenteia com ótimas citações de Virgínia Wolf à Oscar Wilde.


E após alguns momentos aquela turma tão diferente acaba por unir forças...

Nick Hornby divide o livro em três partes e foi muito legal saber um pouco mais da vida de cada um.

A partir do relato dos personagens vamos formando uma imagem deles que pode ou não ser a correta.



No fim das contas o que tirei de lição para minha vida foi que por mais que o problema pareça enorme e sem solução, existem pessoas com problemas maiores e mais dolorosos e no entanto tirar a própria vida nunca, jamais, suicídio é uma solução. Afinal em momentos ruins se você aguardar um pouco, refletindo, uma luz surgirá para clarear seus pensamentos.

Uma longa queda foi um livro que li rápido e me causou risos, bem como momentos de incredulidade, outrora senti repulsa, fiquei brava e um tanto decepcionada.

Vocês precisam ler, pois as reflexões deles, a interação que surge tão inesperada, as discussões e os momentos de entendimento, ah... eu queria tanto falar mais, porém sou anti spoiler e torço para que tenha conseguido despertar a curiosidade em vocês.

Curiosidade:

Gostei tanto, mais tantooo que fui pesquisar e descobri que tem um filme. Yuhuuu!!! Ainda não consegui assistir, mas está na lista. E torço para ter ficado bem similar ao livro.






Nota(0-5):4,0



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6 comentários:

  1. No começo ele o livro é um pouco parecido com Lugares incríveis né? Já leu?
    Não conhecia o autor mas vou procurar mais obras dele!
    Adorei a resenha ♥ ♥
    bjus

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    1. Oi Mich, ainda não li Por lugares incríveis, está na lista. Gostei tanto da narrativa que já estou de olho em Alta fidelidade. Torço para que leia e goste.
      Obrigada pela dica e por comentar.

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  2. Com certeza despertou minha curiosidade.
    Fiquei bastante interessada no livro, e curiosa para saber o que levou os personagens até ali. Também gostei da mensagem que você citou que passa referente a suicídio. Vou tentar ver o filme também.
    Ps:. Londres ♥
    Beijos Lost Words

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    1. Oi Aline o livro foi bem divertido apesar do tema principal, me vi curiosa para conhecer melhor o quarteto, seus motivos, seus sonhos... O filme ainda estou para ver, quando conseguir pretendo compartilhar minha opinião.
      Obrigada.

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  3. Nossa que livro,que tema!Parece ser bem interessante,me deixou bem curiosa,nos refletir sobre as pessoas e que realmente sempre haverá pessoas com problemas maiores do que os nossos.

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    1. Oi Jennifer foi uma grata leitura, com peso de lição de moral com pitadas de humor.
      Obrigada.

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