[FILME] Jadotville

Depois do sensacional "Beasts of no Nation", Netflix lança mais um encantador filme de guerra. Diferentemente de Beasts of no Nations, Jadotville é baseado em uma história real que se passou no Congo durante a Guerra Fria, um momento histórico que durou anos para ser reconhecido e ainda assim é muito desconhecido por grande parte do mundo, e até mesmo muitos historiadores não vão saber dizer o que foi "O Cerco de Jadotville".

Nota:

Aproveitando um evento que só foi reconhecido oficialmente depois de anos, a nova produção da Netflix nos apresenta a história real de 150 soldados irlandeses – sem nenhuma experiencia de batalha, sim antes desse acontecimento o exército da Irlanda nunca tinha visto uma batalha em toda a sua história – que viajam para o Congo, em plena Guerra Fria, como parte da Força de Paz da ONU. Lá eles perdem o apoio e ficam presos entre as jogadas políticas de um diplomata e os ataques de
um exército formado por mercenários contratados pelo presidente da província de Katanga Moïse Tshombe (Danny Sapani). A tropa é totalmente ignorada por seus superiores e colocada em situação crítica. Assim começa o cerco de Jadotville que dá nome ao filme.
O roteiro de Kevin Brodbin se divide entre os aspectos políticos e a própria guerra em si, o desenrolar de um depende totalmente do outro para que a história do filem se desenvolva. Já comum na maioria dos clássicos de guerra, o primeiro arco serve para contextualizar o momento em que o mundo e o Congo vive naquele momento (Guerra Fria) de forma breve, mas também para contextualizar a tropa irlandesa e todo seu preparativo em Jadotville. Rapidamente, conhecemos e entendemos o porquê dos
irlandeses terem sido escolhidos para aquela missão e nos aproximamos de vários membros do batalhão, principalmente de Pat Quinlan (Jamie Dornan).
O comandante Pat Quinlan é considerado um apaixonado por estratégias bélicas que tem que se provar como um verdadeiro líder, inspirando seus soldados quando histórias contadas em livros já não contam mais. A interpretação do Jamie Dornan não é sensacional, mas entrega algo necessário ao personagem, ganhar a confiança do espectador como se nós fôssemos soldados de Jadotville, no inicio é difícil de se acreditar que Quinlan seja um bom líder, o que vai ser posto à prova durante o decorrer do longa. E é através do Pat que entendemos alguns dos combatentes, destacando-se o Sniper (Sam Keeley).
Enquanto isso, a disputa política fica por conta do Conor O'Brien, representante da ONU (Mark Strong) e o General Tshombe, presidente autodeclarado da província de Katanga. O General é apresentado com um ponto de vista de um cara ganancioso que quer a todo custo a independência de Katanga, e o reconhecimento oficial da ONU de Katanga como país. Enquanto Tshombe acha que está ajudando as pessoas, assim também acontece com O'Brien, o que pode tornar os meios usados e relação dos dois para conseguir seus objetivos numa visão de espectador como vilões.
A direção de Richie Smyth surpreende, principalmente por ser o primeiro filme que ele dirige. Ele consegue extrair boas atuações do elenco, manter o ritmo entre os contextos do filme e não deixa que o próprio se canse na transição de cenas. Os melhores momentos são as saídas encontradas por Quinlan para manter seus homens vivos a cada batalha disputada por seus soldados, junto com os movimentos de câmeras que emulam o rebuliço que está sendo provocado em Jadotville e a intensidade de um campo de batalha.
A compra da proposta do filme é ajudada pelos elementos técnicos. A mixagem de som não deixar a desejar em nada em relação a grandes clássicos do gênero, com sons que pareçam vívidos. A trilha sonora pode ser não ser de grande destaque, mas cumpre o seu papel de vilanizar os inimigos dos irlandeses em prol de entregar o heroísmo aos protagonistas. A fotografia está esplêndida, o reflexo do local é sentido visualmente através dos personagens e por uma paleta de cor alaranjada transmitindo a própria natureza africana.
Jadotville não é só para quem gosta de ver belas histórias e filmes de guerra. Porque o longa vai muito além de uma ação desenfreada, tiros e explosões; e nos atinge com um relato histórico-social e questiona os atos hegemônicos que valem apena serem refletidos. Jadotville além de ser uma excelente opção na Netflix, é o melhor filme de guerra de 2016.

4 comentários:

  1. Assisti a esse filme no Netflix e gostei muito. Mostra claramente o jogo de interesses e o quão a vida vale tão pouco para politicos interesseiros.

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  2. Nossa, eu amei esse filme. Tudo o que eles passaram, e a maneira com que foram tratados depois? Terrível. Ainda bem que tiveram seu reconhecimento, mesmo que tardio.

    =)

    Suelen Mattos
    ______________
    ROMANTIC GIRL

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  3. É verdade, a reflexão que o filme traz ao público sobre a ONU é incrível.

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