As Brumas de Avalon: A Senhora da Magia - Marion Zimmer Bradley

Neste enorme e emocionante romance, a lenda do rei Artur é contada pela primeira vez através das vidas, das visões e da percepção das mulheres que nela tiveram um papel central.
Igraine, Viviane, Guinevere, Morgana. Elas revelam, com as suas vidas e sentimentos, a lenda de Artur, como se fosse nova de, ao mesmo tempo, levam o leitor a integrar-se na história, de maneira natural e profunda.






Titulo: As Brumas de Avalon - A Senhora da Magia

Editora: Imago

Ano: 2008 (publicado originalmente em 1979)

252 páginas



Vou logo dizer isso: As Brumas de Avalon é um livro must-read pra VIDA! Porém, como vários bons livros que servem para a vida, só adianta lê-lo se você estiver no ânimo de ler esse tipo de literatura.



O enredo
A lenda do Rei Arthur todo mundo conhece, mas o livro mostra os acontecimentos pela visão das mulheres próximas a ele, que, como você vai ver, é que influenciam na jogada. Em uma época em que os católicos entravam em conflito com os praticantes da crença da Deusa (que, pelo que li por cima, foi uma base para a religião Wicca atual) e a Bretanha vivia ameaçada por invasores, a ilha de Avalon era uma lenda real. 

Escondida pelas brumas, ela só pode ser encontrada por uma das sacerdotisa, que mandam no lugar, Sabe um lugar de mulheres empoderadas? Avalon. Pelo menos para aquela época.

Aí que Viviane, a Senhora de Avalon, vai começar a interferir na vida de sua irmã, Igraine, para que uma profecia se cumpra, mudando radicalmente a vida de todo mundo ao seu redor, principalmente da sua sobrinha, Morgana.

O que eu achei
Não vou mentir, tem horas que esse livro é um choque. Você tem que lê-lo da mesma maneira que assiste Game of Thrones: preparando-se para ver cenas bizarras (Spoiler: o famigerado incesto entre Morgana e Arthur que já faz parte da lenda contada em outras obras), pessoas "boas" agindo de forma duvidosa, etc.

A crença druida é bastante abordada como um contraponto à nova fé católica que chegou ao país, então quem nunca viu obras com essa temática da magia pode estranhar algumas cenas, mas tudo é escrito de forma poética e inteiramente na visão das personagens, nunca batendo o martelo sobre o certo e o errado.

Para quem leu Outlander e vai ler A Senhora da Magia esperando um grande romance, calma lá. Existe um casal fofo, mas eles têm seus defeitos e a moça fica insuportável depois, então o foco não é romance, certo? Nem finais felizes. Apenas pessoas que fazem todo tipo de coisa para salvar uns aos outros das guerras.

Quem é acostumado a pensar em Morgana Le Fay como uma vilã vai mudar o ponto de vista. Aliás, é difícil ter uma opinião só. Às vezes, eu odiava a Viviane, outras vezes eu a admirava bastante. Eu comecei amando a Igraine e depois me decepcionando muito. Guinevere é insuportável. E por aí vai. Mas o importante é que são mulheres com um objetivo bem maior do que normalmente se pensava delas na época e com uma atitude independente do romantismo.

Lendo sem expectativas de fofura ou felicidades explosivas, você é capaz de gostar muito. E aprende que uma história com magia não é sinônimo de soluções mágicas ou romantismo extremo.

Obs.: Em 2001, foi lançada a minissérie As Brumas de Avalon, com a fantástica Anjelica Huston e Juliana Margulies (a protagonista de The Good Wife!!!!). Na verdade, ele está disponível no Youtube.  Veja o trailer e mais abaixo uma cena dublada:








2 comentários:

  1. Definitivamente esse livro não é para mim... essas coisas de intrigas, arranjos e tudo pelo poder não me prendem a atenção e eu tive muita dificuldade para ler o primeiro livro dessa série, tanta que acabei abandonando... meu negócio é final feliz com casal fofo!! Tenho gostos muito simplórios...kkkk

    Mas fico feliz que você tenha gostado...

    Estranho mesmo é que uma autora que escreva um livro assim de mulheres tão fortes seja algo bem diferente na vida real, né?? Seria seus livros uma forma de alterego??

    beijos,

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    1. Dé, eu também adoro casais fofos e finais felizes, mas esse livro me conquistou de um jeito que eu nem sei...

      Pois é, eu nunca vou conseguir entender como mentes perturbadas conseguem escrever coisas bonitas. Seria uma forma de ela ser na literatura o que não era na vida real? Realmente é algo a se pensar...

      Mas como eu li que depois que são as escritas as obras são independentes do autor, posso ler o resto da coleção em paz rs

      Bjos!

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