A Última Camélia - Sarah Jio

Às vésperas da Segunda Guerra Mundial, o último espécime de uma camélia rara, a Middlebury Pink, esconde mentiras e segredos em uma afastada propriedade rural inglesa.

Flora, uma jovem americana, é contratada por um misterioso homem para se infiltrar na Mansão Livingston e conseguir a flor cobiçada. Sua busca é iluminada por um amor e ameaçada pela descoberta de uma série de crimes.

Mais de meio século depois, a paisagista Addison passa a morar na mansão, agora de propriedade da família do marido dela. A paixão por mistérios é alimentada por um jardim de encantadoras camélias e um velho livro.

No entanto, as páginas desse livro insinuam atos obscuros, engenhosamente escondidos. Se o perigo com o qual uma vez Flora fora confrontada continua vivo, será que Addison vai compartilhar do mesmo destino?

Título: A Última Camélia
Autora: Sarah Jio
Editora: Novo Conceito
320 páginas

 Avaliação



Ler um livro da Sarah Jio é uma certeza de reviravoltas no passado, romances impossíveis e segredos que duram décadas. Não foi diferente com A Última Camélia, que, na minha opinião, se equipara com Violetas de Março, embora eu ainda tenha mais carinho por este último.

Mas antes de tudo, não pensem que esse livro é sobre uma história de amor, porque não é. A Última Camélia é sobre mulheres fortes e seus segredos. Tudo isso envolvendo um lindo jardim e a misteriosa camélia Middlebury Pink.

Pois bem. No presente, temos a história de Addison, que é chantageada por uma pessoa do seu passado, Sean, que ameaça contar ao marido dela, Rex (que nome/apelido estranho, né?), que a moça se chama Amanda e tem um passado obscuro. Para fugir dele, ela convence o marido a passarem uma temporada na Mansão Livingston, que os pais dele compraram.

Já no passado, na década de 40, temos Flora, que aceitou trabalhar para um vigarista se passando por babá em uma mansão do interior da Inglaterra para roubar a raríssima camélia Middlebury Pink no jardim da casa.

E dentro de ambas as histórias, temos o mistério de lady Anna, senhora da Mansão Livingston, que morreu antes mesmo de Flora ir para lá e deixou um caderno com o nome de moças desaparecidas.


Pra falar a verdade, eu não tenho muita paciência pras mocinhas do presente nos livros da Sarah Jio. São sempre muito sem sal. E a Addison testou minha paciência até o meio do livro porque ela era MUITO ingênua deixando o cara ameaçá-la desse jeito, correr para uma mansão com fama de mal-assombrada e passar quase o tempo todo sozinha lá dentro. E quando você finalmente descobre qual é esse passado tão obscuro, você fica "Sério?". Ela até faz umas coisas inteligentes, mas demora até reagir, viu.

A minha favorita foi a Flora, que acaba se tornando muito querida como babá e conquistando todos na casa. O romance dela com Desmond foi muito fofo também. Mas ela também compartilha de uma ingenuidade gritante com Addison. Tem uma cena em que claramente você vê a solução do mistério das moças desaparecidas e ela simplesmente deixa pra lá.

Mas o que cativa mesmo na história é o seu ritmo acelerado desde o início e a quantidade de mistério que vão se intrincando e deixando suspense no final de cada capítulo, como se fosse quase uma novela. Queremos saber como Addison vai se livrar de Sean e qual é o passado dela; como Flora vai conseguir se livrar do vigarista e ser feliz com Desmond; como Lady Anna morreu e o que ela tinha a ver com as moças desaparecidas.... E por aí vai. Você vê que a Sarah Jio não economiza nos mistérios.
Sabe... eu já pensei muito sobre isso e acho que as pessoas são bastante parecidas com aquelas estrelas lá em cima. Algumas brilham fraquinhas por milhões de anos, mal podendo ser vistas por nós na Terra.(...) Mas outras brilham com tanta intensidade que iluminam o céu. É impossível não notá-las, não se maravilhar com elas. Estas são as que duram pouco.
Página 237

Eu li esse livro tão vorazmente que até perdoei o final apressado. Gostaria de ter visto mais da Flora no final, mas o desfecho da história é alinhado com tudo de forma bem cinematográfica. O epílogo é muito bonitinho, mas gostaria de ter visto mais.

A Última Camélia é um desses livros para refrescar a cabeça e terminar a leitura com uma sensação boa. Você passeia por jardins magníficos e o cenário do interior da Inglaterra como se estivesse lá sem que a narrativa se demore em descrições.

É sério, por mais que ele não seja um épico ou tenha reflexões mais profundas, vai ter uma hora que você vai esquecer que o mundo existe e mergulhar em páginas após página até chegar no final. Até porque a diagramação tem letras maiores que facilitam mais a leitura.

Recomendo para quem adora histórias de passado e presente com uma pitada de romance e cenas dignas de filme.

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