Juliet, Nua e Crua - Nick Hornby


Há 20 anos, Tucker Crowe abandonou a carreira de músico sem dar explicação, o que gerou enormes especulações. Mesmo após duas décadas, o evento que levou o quase famoso Tucker Crowe a largar a música e se esconder em algum lugar remoto ainda é um mistério. Em 'Juliet, nua e crua', o leitor conhece Duncan, um fã obcecado pelo enigma em torno do semiobscuro cantor norte-americano. Obsessão que já começa a desagradar Annie, sua esposa há 15 anos. As opiniões conflitantes colocam em xeque o relacionamento, mas a situação começa a fugir de controle quando o próprio recluso, Tucker Crowe, entra em contato com Annie, por conta do seu último álbum, Juliet.


Título: Juliet, Nua e Crua
Autor: Nick Hornby
Editora: Rocco
272 páginas

Avaliação: 4,0


Simplesmente adoro escritores que pontuam suas histórias com muito sarcasmo. Um escritor assim salva até as histórias mais tediosas. Porém, Juliet, Nua e Crua não tem a história tediosa e ainda conta com a vantagem da escrita inteligente e gostosa de Nick Hornby.

Imagine você viver em um relacionamento estável por 15 anos por um fã ardoroso de um cantor e de repente receber um e-mail do próprio artista? Um história assim, pra mim, é irresistível.

Annie e Duncan têm um relacionamento morno e ela já não aguenta mais a devoção absoluta que ele tem por Tucker Crowe. Na verdade, ela sente que o namorado gosta até mais de Crowe do que dela. Até que um dia, ela resolve fazer uma resenha sincera e ácida sobre um álbum recente lançado após o cantor passar anos sem nada novo. É aí que o próprio Tucker conversa com ela e os dois passam a ter uma amizade sincera.

Se Juliet, Nua e Crua fosse escrito por Meg Cabot ou Sophie Kinsella, daria uma comédia romântica deliciosa de ler com o final que todo mundo espera. Por outro lado, se fosse escrito por Stephen King, a história descambaria para uma descoberta macabra por parte de Annie. Porém, Nick Hornby prefere falar da realidade com o melhor humor e sarcasmo que conseguir.

Então, se você ainda não conhece o estilo de Hornby, não adianta esperar reviravoltas fofinhas, cenas emocionantes, reencontros cheios de amor, nem nada disso. Mas existem situações malucas e divertidas que acabam levando você mais e mais na leitura. 

O legal é que vemos os pontos de vista de Annie (que se maldiz o tempo todo, mas é obviamente a mais inteligente dos narradores), Duncan (que não é lá muito profundo e parece ter uma inteligência mais técnica, quase como um Sheldon, de The Big Bang Theory) e o próprio Tucker (o mais engraçado de todos, desmistificando a figura de lenda do rock para um cara tranquilo que teme ter desperdiçado sua juventude).

Nós nos juntamos às pessoas porque elas são iguais a nós ou porque são diferente de nós, e no fim nos separamos exatamente pelas mesmas razões.
Página 74

A história é um retrato da vida adulta e todas as suas partes chatas e incríveis. Não é um romance, não é uma comédia propriamente dita, mas é uma narrativa muito boa de se acompanhar e que se lê em poucos ou até um dia. Acho que um ponto negativo a se colocar é o meio do livro, com situações da cidadezinha monótona em que Annie vive, com personagens chatos e bem dispensáveis. Mas de resto, são muito bons personagens.

Eu sempre quis ler um livro desse cara e encontrei esse superbaratinho na Bienal do Livro aqui do Ceará. Ele é o tipo de escritor que você quer ler independente da história.

É por isso que eu recomendo esse livro. Mas se você prefere romances, esse livro vai ser algo bem diferente de se ler.

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