Eu Sou Malala - Malala Yousafzai e Christina Lamb

Quando o Talibã tomou controle do vale do Swat, uma menina levantou a voz. Malala Yousafzai recusou-se a permanecer em silêncio e lutou pelo seu direito à educação. Mas em 9 de outubro de 2012, uma terça-feira, ela quase pagou o preço com a vida. Malala foi atingida na cabeça por um tiro à queima-roupa dentro do ônibus no qual voltava da escola. Poucos acreditaram que ela sobreviveria.

Mas a recuperação milagrosa de Malala a levou em uma viagem extraordinária de um vale remoto no norte do Paquistão para as salas das Nações Unidas em Nova York. Aos dezesseis anos, ela se tornou um símbolo global de protesto pacífico e a candidata mais jovem da história a receber o Prêmio Nobel da Paz. Eu sou Malala é a história de uma família exilada pelo terrorismo global, da luta pelo direito à educação feminina e dos obstáculos à valorização da mulher em uma sociedade que valoriza filhos homens. 


Título: Eu sou Malala
Autoras: Malala Yousafzai e Cristina Lamb
Editora: Companhia das Letras
342 páginas
Ano: 2013

"Uma criança, um professor, um livro e uma caneta podem mudar o mundo". 
Não acredito que passei tanto tempo sem ler este livro. Eu já conhecia a história de Malala Yousafzai, a jovem que defendeu o direito das meninas à educação no Paquistão e foi baleada pelo Talibã. 

Mas entender a situação que Malala passou - pelas palavras da própria - é uma viagem para entender outra realidade e outra religião e também uma reflexão para compreender os privilégios que temos e como devemos lutar para que todos também tenham acesso a eles.



Uma nova visão sobre o país de Malala

Dá pra ver que Malala ama muito o vale do Swat, a região verdejante onde foi criada. Apesar de algumas passagens usarem muita descrição (algumas geográficas, outras políticas), é importante para que o leitor se situe no momento em que o Paquistão estava passando. 

Vale do Swat, no Paquistão.
Logo de cara, já desmistificou a imagem do Paquistão (para mim, pelo menos) como um lugar somente com cidades poeirentas e montanhas em cenários mais áridos. Quando a gente só vê o que passa no noticiário, acaba tendo uma visão muito pobre de um assunto. E, de fato, nesse livro, aprendi muita coisa. Aliás, livros, né, gente! Sempre aprendemos!

A terrível realidade das meninas 


Claro que eu já sabia que o Islamismo é uma religião que originalmente prega a paz, mas ver os extremistas do Talibã inserirem um conservadorismo radical pouco a pouco na cabeça das pessoas comuns é alarmante!

Tem uma parte em que eles falam pelo rádio que a menina fulana de tal havia deixado a escola e por isso ia para o céu. Já imaginou uma situação dessas? Você vai sentindo todo o desespero que Malala sentia ao ver o seus direitos básicos(que, mesmo em tempos normais, poderiam ser retirados, se ela vivesse em uma família mais conservadora) sendo pouco a pouco proibidos. 

O Talibã podia tomar nossas canetas e nossos livros, mas não podia impedir nossas mentes de pensar
Página 156

E antes que digam que isso é questionar a cultura de outro país, esse é o relato da própria Malala. O Paquistão, inclusive, já tinha uma Primeira-Ministra mulher e várias profissionais mulheres trabalhando na época. Malala, bastante religiosa, questionava o conservadorismo do Talibã porque o Livro Sagrado falava de buscar o conhecimento - justamente o que estava sendo destruído naquele momento.

A incrível coragem de uma menina

Gente, se ainda não conhecem a Malala , por favor, vão atrás de conhecer essa menina MARAVILHOSA!!

Aos 11 anos, ela escreveu um blog para a BBC relatando a ameaça que sofria para ir à escola. Aos 13 começou a discursar por todo o Paquistão e ser conhecida no mundo todo. Aos 16 anos, ganhou o Prêmio Nobel da Paz. Antes disso, porém, foi baleada no rosto no ônibus da escola.

Foto: A Majeed/AFP
Dá pra ver que Malala é, de fato, uma adolescente. Ela tinha briguinhas com a melhor amiga, Moniba, adorava Crepúsculo e assistir a série Ugly Betty. Ela é totalmente alguém que frequentaria o colégio com você. 

Só que desde muito cedo, ela percebeu que o direito de estudar poderia não ser uma conquista pra vida toda. Quando eu tinha 11 anos, minha maior maior preguiça era a aula de Matemática, mas depois fiquei pensando o que faria se de repente eu não pudesse mais ir à escola e todos os meninos pudessem? O que qualquer uma de nós faria se impusessem que o nosso futuro deveria ser ficar em casa, sem jamais sair - a não ser acompanhada por um parente homem - ou sem jamais poder ter um futuro profissional?

Eu sou Malala. Meu mundo mudou, mas eu não.
Página 327

Muita gente se calaria por medo - e não tiro a razão, algumas pessoas eram chicoteadas em praça pública. Mas a Malala levantou a voz! Foi atrás dos direitos, não teve medo. Gente, ela é incrível, é inspiradora, é um ser humano sensacional!

Pra resumir, LEIAM esse livro. É um choque de realidade, uma leitura riquíssima e uma narradora envolvente. Vale muito a pena mesmo incluir agora na sua lista!
Dá uma olhada no trailer do documentário dela:


E também no trecho do discurso dela na ONU:



E você? Já conhecia essa menina?




Não deixe de participar do nosso top comentarista do mês

31 comentários:

Deixe seu comentário