Novembro de 63 - Stephen King

A vida pode mudar num instante, e dar uma guinada extraordinária. É o que acontece com Jake Epping, um professor de inglês de uma cidade do Maine. Enquanto corrigia as redações dos seus alunos do supletivo, Jake se depara com um texto brutal e fascinante, escrito pelo faxineiro Harry Dunning. Cinquenta anos atrás, Harry sobreviveu à noite em que seu pai massacrou toda a família com uma marreta. Jake fica em choque... mas um segredo ainda mais bizarro surge quando Al, dono da lanchonete da cidade, recruta Jake para assumir a missão que se tornou sua obsessão: deter o assassinato de John Kennedy. Al mostra a Jake como isso pode ser possível: entrando por um portal na despensa da lanchonete, assim chegando ao ano de 1958, o tempo de Eisenhower e Elvis, carrões vermelhos, meias soquete e fumaça de cigarro. 

Após interferir no massacre da família Dunning, Jake inicia uma nova vida na calorosa cidadezinha de Jodie, no Texas. Mas todas as curvas dessa estrada levam ao solitário e problemático Lee Harvey Oswald. O curso da história está prestes a ser desviado... com consequências imprevisíveis.

Título: Novembro de 63
Autor: Stephen King
Editora: Suma de Letras
Ano: 2013
727 páginas

Avaliação ( 0 a 5): 5,0 


Esse é um livraço nos dois sentidos da palavra! Novembro de 63 é surpreendente, aflitivo, incrivelmente fundamentado e bem diferente das expectativas.
Mas só dou um conselho: procure lê-lo todo de uma vez.


A narrativa extasiante

Essa conselho foi passado pela minha prima quando ela soube que eu o leria. E percebi que ela tinna razão. Esse livro começa bem, aí acelera num ritmo alucinante, depois reduz a velocidade e se mantém estável, construindo os personagens, por muitas páginas. Aí volta a acelerar, deixando a gente sem fôlego e com o coração martelando.

É uma montanha-russa de emoções, mas é bom que seja lida de uma vez. O meio do livro pode desanimar um pouco - apesar de nunca ser ruim, - e é interessante que não se perca nenhum detalhe que possa fazer a diferença depois. Stephen King constrói as histórias com paciência, mas quando ele pisa o acelerador, segure-se quem puder. Isso sem mencionar a caracterização PERFEITA (pelo menos eu acho, né, nunca voltei no tempo rs) do final dos anos 50 para os 60.

Uma história complexa

Jake já começa o livro relatando como se emocionou ao ler a redação do aluno (da classe de alfabetização para adultos) Harry Dunning, que relata como o pai massacrou a família numa noite de Halloween. Esse é um dos principais motivos para Jake aceitar a ideia maluca de Al Templeton de voltar no tempo e impedir o assassinato de JFK. Para salvar a família Dunning e mudar o presente em que Harry é traumatizado e, zelador, é ridicularizado pelos alunos por mancar.

Embora emocionalmente delicados e muito fáceis de ferir, os adolescentes são escassos na empatia. Isso vem mais tarde a vida, quando vem.
Página 82

Porque, sim, ele descobriu uma passagem para 1958. Ao decorrer dos anos que precisa viver no passado para impedir a tragédia, Jake vai tentando "consertar" tudo. Só que o passado é resistente, "não aceita ser mudado" e as consequências dessas mudanças vão se somando para atingir a história em um grande clímax no final, como uma tsunami de "efeitos borboleta".

Os paradoxos do tempo

Parece muito fácil voltar ao tempo para salvar a família de Harry Dunning e impedir o assassinato de Kennedy. Mas Jake descobre que cada alteração no passado leva a uma mudança mais significativa no futuro, à medida que o tempo passa. Sempre que ele volta ao passado, as ações são zeradas e ele precisa fazer tudo de novo.

Achei que foi uma solução mais sensata para expor o perigo de se mudar o passado. É tão sensata que leva a gente ao desespero no final do livro. Como a relação de Jake com a incrível Sadie ou com a vida de Kennedy pode mudar o futuro? O livro deixa a gente sem saber como agir, apenas com a cereza de que era melhor nunca ter descoberto a "toca do coelho". 

Personagens tão reais que dói

Antes de mais nada, Stephen King deu vida a pessoas que realmente existiram como o desprezível Lee Oswald, o assassino de John Kennedy, e sua sofrida esposa russa Marina. Mas o destaque vai para a construção de personagens "gente como a gente", que qualquer um poderia ter conhecido, como a maravilhosa Sadie, a impetuosa senhora Mimi e até mesmo misóginos frios como Frank  Dunning.

Mike e Bobbi Jill dançaram no seu tempo, e o seu tempo era 1963, aquela época de cabelo reco, televisores com gabinete e rock de garagem feito em casa (...) Dançaram como Bevvie e Richie tinham dançado, como Sadie e eu tínhamos dançado, e eram belos, e os amei, não pela sua fragilidade, mas por causa dela. Ainda os amo.
Página 531 

Ao entrelaçar os enredos de pessoas tão boas com pessoas vis e podres, Stephen King faz um paralelo com a própria realidade, intricada com histórias que vão se refletir umas nas outras.


Gente, esse é um livro incrível, uma das melhores histórias contadas sobre viagem no tempo. Ele desperta todas as emoções que um escritor brilhante sabe suscitar em seus leitores. Somos levados em uma corrente de ficção para observamos extasiados a história que se desenrola. Vale muitíssimo, muito mesmo, a leitura.

Obs 1: Para quem leu It, a aparição da cidadezinha de Derry e as referências bem claras a palhaços, assassinato de crianças e forças malignas em chaminés vai agradar quem estava com saudade da história. E dois personagens desse mesmo livro também fazem uma participação especial.

Obs 2: A capa é incrível, um retrato da época. Se você virar o livro, pode ver o que acontece quando o futuro é alterado.


1 comentários:

  1. Eu adoro a escrita de Stephen King, é o rei do terror na minha opinião. Ainda não li este, comprei ontem um dos clássicos do autor, o Carrie. Fiquei super curioso com livro, adorei a sinopse e sua crítica está muito bem fundamentada. Obrigado pela dica :)

    Bitaites de um Madeirense

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