Xapiri

Desde o inicio do filme, se percebe que a cor é algo muito presente em "Xapiri". O alaranjado das folhas remete a memória do espectador à estação do outono em que as folhas (em um tom de cor parecido) das árvores caem, mas voltam a crescer, ou seja, um ciclo que se renova. Seria uma analogia aos tradicionais rituais Yanomami, que também fazem parte de um ciclo?

Nota: 4/5


Xapiri é um filme experimental sobre o xamanismo yanomami, realizado por ocasião de dois encontros de xamãs na aldeia de Watoriki, Amazonas, em março de 2011 e abril de 2012. Foi concebido de modo a levar em conta duas noções diferentes de imagem: a dos yanomami e a nossa. Não se trata de explicar o xamanismo, seus métodos ou procedimentos, mas de tornar visível e sensível, para públicos de culturas diferentes, o modo pelo qual os xamãs incorporam os espíritos e como seus corpos e vozes se transformam tanto no contato com os espíritos quanto ao "passar" de um a outro espírito.

O trabalho através da cor, como já foi dito, é impressionante. A sobreposição de imagens, algo bem frequente no filme, representa a transposição dos corpos e a importância dos espíritos para aquele ritual.
A composição sonora é muito bem trabalhada para causar ou tentar imergir o espectador naquele ritual, não se tem a tradução das falas, tudo se resume aos sons reproduzidos naquele ambiente, seja os cantos indígenas ou o som dos animais. Algo bem interessante também, é a forma como a imagem acompanha a trilha sonora em algumas cenas.

Não existe uma tentativa de criar um significado para o filme, mas a transe em que o espectador é posto, em que a própria câmera se torna um Xamã, faz de "Xapiri" um filme vivo e sensível.

PS.: "Xapiri" está disponível de forma gratuita no Youtube.

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