Provence - o lugar onde se curam corações partidos - Bridget Asher

“Eis uma forma de colocar a coisa: a perda é uma história de amor contada de trás para frente... Toda boa história de amor guarda outra história de amor escondida dentro dela.”

A vida de Heidi com o filho Abbot tornou-se um jogo para manter viva a memória de Henry, bom pai e marido exemplar. Manter uma vida normal em um mundo em que Henry não existe mais está cada dia mais complicado. Heidi precisa lidar com o filho que se tornou um verdadeiro maníaco por limpeza e com a sobrinha Charlotte, uma adolescente problemática.

Uma casa em Provence, na França, que pertence à família de Heidi há gerações, é rica em histórias de amor e surpreendentes coincidências. Heidi e sua irmã mais velha, Elysius, passavam os verões lá quando crianças, com sua mãe. Mas a casa, as lembranças e os segredos de Provence haviam ficado no passado, mas agora, com o incêndio na propriedade, a casa precisa ser salva por Heidi. Ou será que é Heide que precisa ser salva pela casa?

Uma história de recomeço, amor e esperança em face à perda, onde uma pequena casa na zona rural do sul da França parece ser a responsável por curar corações partidos há anos. 

“Devemos ser sinceros quando o mundo não faz sentido...”

Título: Provence - o lugar onde se curam corações partidos
Autora: Bridget Asher
Editora: Novo Conceito
Ano: 2017
368 páginas

Avaliação (de 0 a 5): 5,0



Gente, que livro delicioso de ler! Juro que nem esperava isso tudo, mas ele enche a imaginação com cenários maravilhosos, desperta o paladar para a culinária francesa e aquece o coração com as histórias em torno da casa em Provence.


Uma história tocante com algumas lágrimas

De início, eu achava que por Heidi ter o perdido o marido e precisar reconstruir a vida, a história seria muito triste e pesada. Mas não. A história de amor entre ela e Henry é contada em tom de saudade, sem esconder o desespero da perda - claro - mas sempre balanceada com as histórias dos outros personagens.

E ver Heidi se abrindo novamente é lindo. Parece que atravessamos a dificuldade com ela e nos encantamos da mesma forma que ela se encanta com o sabor da vida. 

- Toda mulher precisa de pelo menos um verão na vida em que possa se perder. Este é o seu.
Página 81

Claro que no começo vemos muito da tristeza dela, mas quando começam a falar de como a casa da Provence é importante na família, já fiquei animada para o que encontraria na segunda parte do livro. Então, se vocês acharem essa parte chata, aguardem até ela chegar na França rs.

Senti falta de mais histórias com Julian e Pascal,a infância das meninas naquele lugar. Eu super leria mais umas 30 ou 40 páginas se a autora detalhasse melhor todas as histórias daquele lugar.

Vontade de pegar um avião agora mesmo

Bridget Asher, pseudônimo da autora Julianna Baggot, construiu (baseado na realidade, claro) um cenário encantador para situar a casa "mágica" que cura os corações partidos da família de Heidi. 

Visão do Saint-Victoire. Foto: Ecobalade

A cidade de Provence, no sul da França, a montanha Saint-Victoire (imagina acordar com essa visão todo dia?), o capela de Saint-Ser no alto da montanha, a simpática vila perto da casa... Tudo é deliciosamente charmoso e acolhedor.

A capela que aparece na história. Foto: Grand Site Sainte-Victoire


E não só isso, ela descreve o paladar da culinária tão bem que é como se estivéssemos lá. E tudo isso em poucas linhas, sem soar monótono. No final, ela até coloca as receitas que vemos na história, o que dá pra ver que ela realmente se esforça em recriar uma experiência sensorial ali.

Personagens cativantes, mas que poderiam aparecer mais


Heidi, com suas dores e passado belíssimo com Henry, foi bem construída. Ela não passou da dor à felicidade de uma página, ela vai aos poucos recuperando as pequenas alegrias de se viver. Só acho que deveria haver um espaço maior para a Heidi feliz, que só aparece mais pro final.

Julian é apaixonado por Heidi desde a infância que ela passava em Provence e é simplesmente um cara incrivelmente compreensivo, paciente, doce, charmoso, tendo ele mesmo passado por vários problemas. Queria também ter visto mais de romance pro final, o livro deixou essa vontade de "quero mais".

Eu acho que a mãe de Heidi foi o personagem menos aproveitado. Ela começa sendo apenas exigente e elitista, mas depois descobrimos que ela teve um passado incrível em Provence. Mas e aí? Não sabemos muitos detalhes. Ela dá uma grande lição, mas é só. Senti falta de mais momentos bonitos entre ela, Heidi e Elysius.

Já Charlotte eu gostei desde o começo. A rebeldia da garota é só para desafiar o pai e a madrasta mesmo, mas ela é alguém muito mais sábia do que se imaginaria. E o Adam, bem, não faz a menor diferença. Já o garotinho Abbot tem um grande crescimento, inclusive, sendo a evolução dele muito mais visível do que a de qualquer outro personagem.


Então, gente, Provence podia ser um livro maior, mais desenvolvido (poderia virar filme também, seria lindo), mas encanta demais. Eu o coloco no mesmo patamar dos melhores livros da Sarah Jio ou de grandes autoras da Novo Conceito. A capa é liiinda, a diagramação é bem confortável de ler e está tudo ótimo.

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