O Castelo de Vidro - Jeannette Walls

A bela jornalista ruiva, uma profissional de sucesso na capital dos negócios, Nova Iorque, contempla a cidade pelos vidros do táxi. Em breve chegará a seu luxuoso apartamento, repleto de antiguidades, mapas antigos, livros raros e tapetes persas. Subitamente, seu olhar é atraído por uma visão, infelizmente não tão incomum nas metrópoles: uma senhora idosa e desgrenhada vasculha uma lixeira em busca de algo para comer. Em pânico, a jornalista, que aterrorizava as celebridades com sua ácida coluna de fofocas, esconde-se no interior do veículo. Havia reconhecido a mulher em estado de indigência. Tratava-se de sua mãe. Um conto fantástico, ou a imaginação delirante de um autor, em busca do efeito fácil sobre os leitores, diriam alguns. No entanto, a história é absolutamente verídica, e um desses casos em que a realidade parece emprestar as tintas da ficção.



Título: O Castelo de Vidro
Autora: Jeannette Walls
Editora: Globo Livros
Ano: 2014
344 páginas

Avaliação (de 0 a 5): 5,0


Gente, eu tô falando desse livro pra todo mundo. Ele é maravilhoso demais! Eu tô obcecada por essa história e desesperada porque não consegui assistir o filme no cinema. Sim, ele virou filme. Mas vamos ver sobre o que ele se trata?


Pais negligentes, lembranças boas e ruins 

Jeannette Walls era uma jornalista de fofocas que escreveu essa autobiografia como forma de superar o passado doloroso. Sua família percorria cidades e mais cidades, passando por aventuras, dificuldades, momentos lindos e cenas terríveis. 

A família real e a família representada no filme. Foto: History vs Hollywood

Seus pais não queriam saber de criar Jeannette e seus irmãos como as outras crianças. Eles acreditavam que a melhor escola é a vida e por isso dificilmente fixavam residência. Por um lado. eles amavam os filhos e incentivaram a busca pelo conhecimento (mesmo na pobreza, eram extremamente intelectuais), por outro lado, eram negligentes e pareciam incapazes de lutar pela sobrevivência deles.

As emoções que o livro evoca

O Castelo de Vidro não é um livro triste, apesar de tudo. A escrita é muito direta, quase jornalística, com relato de como a autora se sentia na época, mas muito pouco sobre o que ela sentia ao escrever aquilo. 

Filha, a gente não tem dinheiro para o presente, mas escolhe uma estrela no céu e fica com ela pra toda a vida.

A narrativa relata momentos de imensa ternura, como quando Rex, o pai, não tem dinheiro para presentes de Natal e pede para Jeannette escolher uma estrela no céu. Ela escolhe o planeta Vênus, em um dos momentos mais tocantes da história. 

Temos momentos de cortar o coração quando vemos o alcoolismo de Rex piorar cada vez mais e o dinheiro em casa escassear. Uma dos relatos mais tristes é quando as crianças passam a revirar o lixo pra encontrar o que comer. Em uma dessas cenas, os irmãos flagram a mãe, Rose, comendo uma barra enorme de Snickers escondida. 

Isso sem mencionar nas situações horríveis - que não falarei aqui pra não soltar spoiler - que elas foram submetidas simplesmente porque os pais não viam problema naquilo. Ao mesmo tempo, o conhecimento que eles tinham pela inteligência dos pais e os livros da casa era admirável.


Uma história fluida, fácil e inesquecível

O livro é dividido em várias histórias seguindo uma cronologia. Começa quando Jeannette, já adulta e jornalista, vê a mãe catando lixo em Nova York. A partir daí, ela começa a relatar pequenas e grandes coisas sobre sua vida, como quando estava fazendo salsichas aos 3 anos, foi atingida pelo fogo e hospitalizada em seguida.

-Para onde estamos indo, papai? - perguntei
- Qualquer lugar aonde chegarmos - respondeu.
Página  28 

As histórias são curtas e quando você percebe, já está devorando o livro porque quer saber mais, quer saber como ela conseguiu sair dessa vida e como foi o futuro da família. E depois você imagina aqueles relatos, compara com a própria infância e fica com um assombro ainda maior.

Tipo, eu não conseguiria passar por tudo aquilo que a autora falou. Nunquinha. E o mais impressionante é que ela PERDOOU os pais. Gente, que lindo. E foi difícil, foi no processo de escrever o livro. 


Esse livro é uma lição linda de amor, de perdão, de seguir em frente. Apesar de tudo, ele surpreendentemente não é pesado. É o tipo de livro que se lê bem rápido.

Por favor, leiam!

Obs: a Folha lançou a coleção Mulheres na Literatura (não, não é publipost. Quisera eu rs) e esse livro já está nas bancas para ser comprado bem baratinho. Dá uma olhada nos outros!

Obs 2: o filme foi lançado recentemente nos cinemas com Brie Larson (vencedora do Oscar por O Quarto de Jack), Woody Harrelson (Jogos Vorazes) e Naomi Watts (O Impossível). 

Veja o trailer e já comece a se emocionar (inclusive foi vendo o trailer do filme que eu fui atrás do livro):


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