[Resenha] Misery - Stephen King

Paul Sheldon descobriu três coisas quase simultaneamente, uns dez dias após emergir da nuvem escura. A primeira foi que Annie Wilkes tinha bastante analgésico. A segunda, que ela era viciada em analgésicos. A terceira foi que Annie Wilkes era perigosamente louca. Paul Sheldon é um famoso escritor reconhecido pela série de best-sellers protagonizados por Misery Chastain. No dia em que termina de escrever um novo manuscrito, decide sair para comemorar, apesar da forte nevasca. Após derrapar e sofrer um grave acidente de carro, Paul é resgatado pela enfermeira aposentada Annie Wilkes, que surge em seu caminho.
A simpática senhora é também uma leitora voraz que se autointitula a fã número um do autor. No entanto, o desfecho do último livro com a personagem Misery desperta na enfermeira seu lado mais sádico e psicótico. Profundamente abalada, Annie o isola em um quarto e inicia uma série de torturas e ameaças, que só chegará ao fim quando ele reescrever a narrativa com o final que ela considera apropriado. Ferido e debilitado, Paul Sheldon terá que usar toda a criatividade para salvar a própria vida e, talvez, escapar deste pesadelo.

Título: Misery - Louca Obsessão
Autor: Stephen King
Editora: Suma de Letras
Ano: 2014
326 páginas

Avaliação (de 0 a 5): 5,0

Quando você lê Misery, imediatamente descobre três coisas. A primeira é que não há limites para o horror nos livros de Stephen King ("Ah, ele não vai fazer isso né, claro q n... Ai meu Deus, ele escreveu isso mesmo!!!). A segunda é que ele escreveu esse livro com tanta maestria que o leitor poderia dançar entre metalinguística, suspense, esperança e frio na barriga. A terceira é que você não vai conseguir largar até terminar.



Uma das capas antigas do livro

Sobre o que é Misery 

Paul Sheldon é um escritor de best-sellers, digamos, arrogante com o próprio talento. Um dia, ele sofre um acidente e acorda na casa de Annie Wilkes, uma enfermeira aposentada que afirma ser sua fã número um. E justamente da série de livros que ele mais detesta, a saga de Misery Chastain, heroína de romance histórico. O problema é que ele matou Misery no último livro, o que o deixa numa situação muito delicada ao perceber que Annie é instável, violenta e potencialmente assassina.


O que eu achei

Eu não sei como um livro que se passa dentro de uma casa com apenas dois personagens - quase o tempo todo, pelo menos - consegue ser tão eletrizante. Você fica O TEMPO TODO com medo do que Annie fará a seguir. Uma hora você respira aliviada porque ela está boazinha, na outra, só falta arrancar as páginas de agonia.

E se prepare para algumas das cenas mais perturbadoras dos livros do King (pelo menos no quesito de sangue). Ao mesmo tempo, prepare-se para uma escrita genial com o autor no auge de sua sagacidade literária. Ele alterna momentos de fluxo de consciência de Paul com o que se passa no presente. Ele também usa a metalinguística para falar do amor pela escrita, do processo de criar e também das soluções fáceis que os autores usam nos livros (também conhecido como deus ex machina).

Annie Wilkes tocando o terror

E nessa armadilha, ele não cai. Qualquer solução que você imaginar cai por terra e prosseguimos a leitura de forma aflita pra saber COMO aquilo vai ser solucionado. Gente, tensão é o mínimo. Você vai se remexer incomodada porque quer saber mais o que vai acontecer.

Curiosidades sobre a história

Como relatou no livro Sobre a Escrita (maravilhoso, por sinal), Stephen King escreveu Misery no auge do seu vício em cocaína. Anos depois, já reabilitado, ele percebeu que a sádica Annie Wilkes era uma metáfora para o que a droga fazia em sua vida.

Outra curiosidade é que Annie menciona o famoso Hotel Overlook, do clássico O Iluminado. Não vou dizer o comentário porque tem spoiler do final desse livro, mas é mencionado o que o zelador Jack Torrance fez por lá. Adoro que os livros do King têm essas pequenas pistas relacionando-os entre si.


No geral, é um livro para quem gosta de sangue, suspense e muita adrenalina. Não é dos livros mais leves do autor, mas não é pesado como outras obras, exceto com relação à tortura e violência. Mas para quem aprecia Stephen King ou uma obra muito bem escrita e empolgante, recomendo muitíssimo.

Obs: O filme Misery, de 1990, rendeu um Oscar para a atriz Kathy Bates, que interpretou a fã psicótica. Veja o trailer:



Não deixe de participar do nosso top comentarista do mês

4 comentários:

  1. Faz muito, muito tempo que eu não vejo uma protagonista tão .... DOIDA ! Eu já tinha ouvido falar muito bem do King mas nunca tinha lido nenhuma resenha que expressa-se tão bem um livro , quer dizer , uma opinião sobre um livro, mas enfim , fiquei muito entusiasmada .

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Oi, Carolina, tudo bem? É verdade, existem poucas vilãs tão doidas quanto Annie Wilkes (mas bem poucas mesmo) e ela só vai ficando mais louca e perigosa à medida que vamos lendo. Que bom que você gostou da resenha! Espero que goste do livro :)
      Beijos!

      Excluir
  2. Mikaela!
    Fico feliz por você, porque na minha opinião Misery não é um dos melhores livros do autor e se gostou tanto, gostará ainda mais dos outros, cada um com sua peculiaridade.
    Achei um tremendo terror psicológico, é bem verdade, mas acredito que foi uma personagem extremista, o que não me agradou tanto.
    Já no filme, gostei mais, engraçado, né?
    Desejo uma semana carregadinho de luz e paz!
    “ Inteligência não é não cometer erros, mas saber resolvê-los rapidamente.” (Bertolt Brecht)
    cheirinhos
    Rudy
    TOP COMENTARISTA novembro 3 livros, 3 ganhadores, participem!

    ResponderExcluir
  3. De arrepiar tua resenha e para finalizar este trailer de dar agonia só de ver!!! Creio que este um livro que faz a gente ficar com medo mas ao mesmo tempo necessitando saber o que vau acontecer. Ele já esta na minha lista de desejados! Excelente resenha!!

    ResponderExcluir