[Oscar 2018] The Post - A Guerra Secreta


Um encobrimento escandaloso que abrangeu quatro mandados presidenciais dos Estados Unidos força a primeira editora jornalística do país (Meryl Streep) e um editor difícil de trabalhar (Tom Hanks) a juntarem forças numa batalha sem precedentes entre os jornalistas e o governo.

Nota: 4/5


Direção: Steven Spielberg.
Elenco: Meryl Streep, Tom Hanks, Bob Odenkirk, Sarah Paulson e Alison Brie.
Indicações ao Oscar: Melhor Filme e Melhor Atriz.

Vou começar uma pequena maratona dos filmes indicados ao Oscar (já aviso que não sei se chegarei a assistir todos os principais, mas quero assistir a maioria) e vou iniciar por The Post - A Guerra Secreta.

Sutil e bastante competente, o filme une nomes como Steven Spielberg, Tom Hanks e Meryl Streep, formando uma espécie de trindade imbatível. Para quem ama histórias de Jornalismo e superação, é um longa bem interessante de assistir. E gente, MERYL STREEP E TOM HANKS ATUANDO JUNTOS!

Eu tenho uma relação especial com esse tipo de filme. Sou formada em Jornalismo e, embora não trabalhe exatamente como jornalista (acabei indo cada vez mais em direção ao Marketing), ainda sou apaixonada por essas histórias. Tempos de um Jornalismo corajoso, coisa que tá faltando na imprensa brasileira ultimamente.

Lento no começo, empolgante do meio pro final

Mas voltando ao filme, temos uma introdução um pouco lenta sobre documentos confidenciais dos EUA sobre a Guerra do Vietnã indo parar nas mãos do The New York Times. Tá, mas o filme não é sobre o The Washington Post?

 Então, a primeira parte aborda como esse outro grande jornal publicou sobre o assunto, enfrentando a fúria do governo Nixon, para só depois mostrar como os documentos foram parar nas mãos da equipe liderada pelo jornalista Ben Bradlee (Hanks).

Ou seja, a minha nota só não é máxima porque acho que não precisava dessa introdução tão longa, podendo passar logo para a polêmica decisão de publicar a matéria (que poderia acarretar o fechamento do jornal, simplesmente).

Atuações maravilhosas, personagens reais

Todo mundo sabe que The Post - A Guerra Secreta é baseado na história real do
The Washington Post, mas Tom Hanks e Meryl Streep conseguem transformar os personagens em pessoas de carne e osso mesmo, que você se identificaria na vida real, coisa que nem sempre acontece em cinebiografias de pessoas reais.

Os verdadeiros Ben Bradlee e Katharine Graham / Foto: The Washington Post


Katharine Graham (Streep) passou a comandar o jornal após a morte do marido. Na época, anos 70, não era comum que uma mulher fosse a chefe. E de tanto ser tratada com certo desprezo pelos homens que a cercam, ela demonstra muita insegurança ao se impor.

São várias as cenas em que ela é a única mulher no recinto e sua voz quase sempre é abafada pela opinião de outros homens. Talvez essas cenas passem despercebidas pra muita gente, mas provavelmente muitas mulheres vão se enxergar, mesmo nos tempos atuais.

No filme, a voz de Graham nem sempre era escutada / Foto: The New Paper

E eu logo pensei que o filme ia focar muito no brilhantismo de Ben Bradlee, mas a história também desenvolve bem as personagens femininas, até mesmo as coadjuvantes, quando normalmente elas serviriam apenas de escada para os homens da história. Sarah Paulson, ótima como sempre, não aparece muito, mas tem uma fala muito contundente sobre ser tratada como invisível e acabar se sentindo como tal (referindo-se à Katharine Graham).

E Tom Hanks dá um tom certo de energia à Tom Bradlee, sem cair na arrogância e sem tornar o personagem muito bonzinho. Através dele, o roteiro evidencia o ego jornalístico, a empolgação frenética para cobrir um escândalo e até mesmo um pouco da hipocrisia no relacionamento com políticos. Bob Odenkirk (Breaking Bad) também faz um ótimo trabalho.

Sem destaque no Oscar, mas ótimo para assistir

Provavelmente The Post não vencerá nenhuma das duas indicações ao Oscar, mas isso não significa que não vale a pena assistir. Ele não tem a mesma energia de Spotlight, mas traz um momento importante na história do mundo moderno, a Guerra do Vietnã, e ainda faz referência ao escândalo de Watergate, já abordado em filmes jornalísticos como Todos os Homens do Presidente (que também foi protagonizado pelo mesmo The Washington Post). Inclusive, faz essa continuação, Spielberg, nunca te pedi nada!
Publicar ou não publicar?

Vale também a pena, é claro, por Meryl Streep e Tom Hanks. As atuações dos dois são sutis, de colegas de trabalho, mas tão bem executadas que você fica com vontade é de aplaudir esses maravilhosos. Muita gente nem ligou pra Katharine Graham, mas eu adorei ver a evolução dela. Como eu disse, super dá pra se identificar com algumas cenas ali.

Só não vá assistir se você está afim de um filme com cenas de ação ou algo do tipo. The Post não é monótono, mas a tensão se pauta no que está sendo dito e no que está em jogo. Eu acho uma história incrível, dá uma empolgação danada em ver aquele pessoal se matando para que as pessoas possam o que está acontecendo de verdade.  Mas recomendo demais se você estiver procurando um bom filme!

Dá uma olhada no trailer:


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