[Resenha] A Guerra dos Mundos - H.G.Wells

Eles vieram do espaço. Eles vieram de Marte. Com tripés biomecânicos gigantes, querem conquistar a Terra e manter os humanos como escravos. Nenhuma tecnologia terrestre parece ser capaz de conter a expansão do terror pelo planeta. É o começo da guerra mais importante da história. Como a humanidade poderá resistir à investida de um potencial bélico tão superior?

Publicado pela primeira vez em 1898, A guerra dos mundos aterrorizou e divertiu muitas gerações de leitores. Esta edição especial contém as ilustrações originais criadas em 1906 por Henrique Alvim Corrêa, brasileiro radicado na Bélgica. Conta também com um prefácio escrito por Braulio Tavares, uma introdução de Brian Aldiss, membro da H. G. Wells Society, e uma entrevista com H. G. Wells e o famoso cineasta Orson Welles responsável pelo sucesso radiofônico de A guerra dos mundos em 1938 , que fazem desta a edição definitiva para fãs de Wells.

Título: A Guerra dos Mundos
Autor: H.G.Wells
Editora: Suma de Letras
Ano da edição: 2016
Quantidade de páginas: 296

Avaliação (de 0 a 5): 4,0


Um breve resumo sobre A Guerra dos Mundos: quase desisti, mas o livro vale a pena! Para quem não lembra, essa obra inspirou o filme do Spielberg, estrelado por Tom Cruise e Dakota Fanning, que eu adoro até hoje. Eu só não esperava que o livro - lançado no século XIX, veja só - fosse me impressionar a ponto de me causar tanto - ou mais - arrepios que o blockbuster dos anos 2000.

Sobre o que é A Guerra dos Mundos


Gente, presta atenção nisso! Fazer uma obra de ficção científica com a tecnologia e descobertas modernas de hoje é fácil, agora imaginar uma invasão à Terra numa época que o pessoal usava CANHÃO pra bombardear os ETs? Você pode até dizer que isso é relativo, mas, sério, H.G.Wells escreveu uma invasão tão estarrecedora que o filme apenas moderniza alguns aspectos e muda os personagens, mas o básico está ali, de tão INCRÍVEL que é.

A Guerra dos Mundos é um livro situado na Inglaterra (o que leva a um dos pontos que eu vou criticar mais adiante), pouco antes do século XX. Um belo dia, os seres de Marte caem como cápsulas misteriosas e ficam lá, no campo, atraindo somente a atenção das pessoas locais. Porém, quando as máquinas de guerra (os tripods, representados fielmente no filme) saem das cápsulas e começam a desintegrar as pessoas com raios altamente mortíferos, o pânico se espalha.


Como a maioria das notícias urgentes são comunicadas por TELÉGRAFOS, veja só, a invasão atinge o seu ápice em alguns dias. Mas os efeitos são devastadores. O protagonista (cujo nome não chegamos a conhecer, algo que não é incomum nos livros de Wells), que acaba se separando da esposa por desvios do destino, e testemunha as numerosas mortes, as plantas trazidas de Marte e o terrível plano de se alimentar de humanos que os marcianos põem em prática. Tudo isso na companhia de um padre histérico e irritante.

Em outros capítulos, seu irmão tenta sobreviver em uma Londres caótica, seguindo viagem com duas mulheres, em meio à histeria coletiva dos londrinos e os contra-ataques da Marinha britânica.

O que vale a pena e o que vai dificultar a leitura

A Guerra dos Mundos se passa inteiramente na Inglaterra, o que o torna um tanto quanto bairrista. Claro que não tem problema em usar uma cidade que o autor conhece bem como pano de fundo, mas ele escreve como se nós, leitores, morássemos lá também. E, alguns momentos, isso irrita bastante e deixa a leitura morosa.

Ele descreve minuciosamente em quais ruas, cruzamentos e locais públicos acontecem os ataques, deixando a narrativa menos fluida. Até deixei o livro um pouco de lado, nessa hora. Mas, felizmente, depois que os capítulos do irmão começam, a história ganha velocidade e a imaginação começa a trabalhar! A tensão dos navios no mar, a aflição com as tolices do padre perto dos marcianos e o suspense quando eles chegam perto...

"- Isto não é uma guerra - prosseguiu o artilheiro, - Nunca foi uma guerra, assim como nunca houve uma guerra entre os homens e as formigas".
Página 260

Além de tudo isso, H.G. Wells narra um panorama perfeito de uma cidade destruída, o desespero e a esperança que resta em todos os humanos. Ele ainda descreve os costumes e motivações dos extraterrestres, que, pensando bem, são tão cruéis quanto os próprios humanos em momentos da História.

"Se aprendemos alguma coisa com essa guerra, decerto foi a piedade - piedade pelas almas ingênuas que sofrem o nosso domínio".
Página 257 

Se eu recomendo A Guerra dos Mundos

Gente, H.G.Wells é um grande autor de ficção científica! A imaginação dele surpreende até mesmo os leitores deste século, imagine na época em que os livros foram publicados. Tanto A Guerra dos Mundos quanto A Máquina do Tempo são obras que valem MUITO a leitura.

As incríveis gravuras do livro.

É um clássico, é bem escrito, sabe impor um ritmo do meio pro final e garante muitos momentos de tensão! Sem falar que a edição da Suma de Letras tá LINDA, cheia de gravuras originais e ainda conta com a entrevista do H.G.Wells com o Orson Welles. Esse último, para quem não sabe, causou uma confusão em 1938, ao narrar A Guerra dos Mundos, como uma novela radiofônica. Quem ligou a transmissão pelo meio realmente acreditou que os ETs estavam invadindo e entrou em pânico.

É bem legal ver o autor do livro comentando essa história, assim como outros aspectos da época. Resumindo, eu recomendo MUITO a leitura de A Guerra dos Mundos.



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