[Resenha] Uma Dobra no Tempo - Madeleine L´Engle

Um clássico da fantasia e da ficção científica emerge!

Era uma noite escura e tempestuosa; a jovem Meg Murry e seu irmão mais novo, Charles Wallace, descem para fazer um lanche tardio quando recebem a visita de uma figura muito peculiar.

“Noites loucas são a minha glória”, diz a estranha misteriosa. “Foi só uma lufada que me pegou de jeito e me tirou da rota. Descansarei um pouco e seguirei meu rumo. Por falar em rumos, meu doce, saiba que o tesserato existe, sim.”

O que seria um tesserato? O pai de Meg bem andava experimentando com a quinta dimensão quando desapareceu misteriosamente... Agora, com a ajuda de três criaturas muito peculiares, chegou o momento de Meg, seu amigo Calvin e Charles Wallace partirem em uma jornada para resgatá-lo. Uma jornada perigosa pelo tempo e o espaço. 
Uma dobra no tempo é uma aventura clássica, que serviu de inspiração para os mestres da fantasia e da ficção científica do mundo, agora adaptada para os cinemas pela Disney. Junte-se à família Murray nesta jornada, entre criaturas fantásticas e novos mundos jamais imaginados.


Título: Uma Dobra no Tempo
Autora: Madeleine L´Engle
Editora: Harper Collins Brasil
Ano da edição: 2017
Páginas: 240

Avaliação (de 0 a 5): 5,0


Antes de mais nada, por favor, LEIA ESTE LIVRO ANTES DE ASSISTIR O FILME. Eu até pensei em fazer logo a resenha do longa, mas preciso fazer esse alerta antes. Afinal, eu não quero que você deixe de ler esse clássico.


O que muita gente não entende é que Uma Dobra no Tempo tem mais de 50 anos, foi uma obra controversa na época e continua sendo agora. Afinal, é ficção científica ou fantasia? Infantojuvenil ou não? Independente das classificações, esse livro carrega uma essência muito bonita.

Qual é a história

Depois que o Dr. Murry, pai de Meg e Charles Wallace, desaparece enquanto fazia experimentos com viagens pelo espaço, a família passa por momentos de tristeza e nada volta a ser como antes. Até que as senhoras Quequeé, Quem e Qual aparecem para as crianças e as levam numa jornada para resgatar seu pai.

Basicamente é isso. Também temos a aparição de Calvin, um colega de Meg na escola, que embarca na aventura porque tem um forte pressentimento que precisa estar ali. Eles vão tesserar, que basicamente é dobrar o tempo e espaço para encurtar a distância de deslocamento, passando por planetas fantásticos e uma ameaça que assombra o universo.

Os pontos positivos e negativos

Uma Dobra no Tempo foi escrito para o público infantil, então a linguagem é muito simplificada, de fato. Em alguns momentos, os diálogos não são muito fluidos e os acontecimentos nem sempre acontecem de forma natural. Essa questão pode não ter incomodado as crianças da época, mas certamente incomoda os leitores mais jovens de hoje, que estão acostumados a não serem tratados de forma condescendente.

Ainda como ponto negativo, a protagonista, Meg Murry, é realmente irritante. Emburrada, teimosa e histérica, ela faz a gente revirar os olhos algumas vezes durante a leitura. Mas aí é que está, Meg é extremamente real. Uma menina brilhante, sofrendo a humilhação e desespero pelo desaparecimento do pai, poderia muito bem agir de forma semelhante. Não é como nós gostamos de ler, mas é assim que muitas vezes acontece. E ela amadurece lá pelo final da história.

"Não, Meg. Não torça para que seja um sonho. Eu entendi tanto quanto você, mas uma coisa que aprendi é que você não precisa entender as coisas para elas existirem."
Página 28

Charles Wallace foi um ponto positivo, com sua esperteza apesar de ser quase um bebê. Calvin, apesar de aparecer meio do nada, também comove pela sua lealdade à Meg (apesar da paixonite dele ser muito rápida). Mas o destaque mesmo vai para as Senhoras Quequeé, Quem e Qual, mais antigas que as estrelas, as poderosas do universo. Gostei que não tenha havido muitas explicações sobre quem elas são. Afinal, uma força desse porte não precisa de tantos diálogos expositivos.

O começo foi chatinho para mim, mas depois que as aparências externas cedem lugar à essência da história, comecei a gostar mais dela. Os ensinamentos são simples, mas me tocaram de uma forma que eu nem sei explicar quando comecei a compreender o motivo de Uma Dobra no Tempo ser um clássico.

-Não olhamos para as coisas que você chama de visíveis, mas para as coisas que não se vê. As coisas que são vistas são temporais. As coisas que não são vistas são eternas.
Página 188
Quando terminei de ler, senti que a história é uma homenagem à imaginação pura, sem racionalizações, de uma criança. Se você sair das amarras de um texto aparentemente bobo, vai conseguir encontrar uma essência de amor próprio, fé (não necessariamente em uma religião), humildade e lealdade.


Para quem eu recomendo Uma Dobra no Tempo

As ilustrações de Uma Dobra no Tempo
Não é todo que mundo gosta desse livro. Por isso, eu o recomendaria para aqueles que têm paciência de esperar uma história se desenvolver antes de largar o livro. E também para quem consegue enxergar com mais inocência, passando por cima de estilo textual, dos pré-julgamentos e da bagagem literária moderna.

Porque vale a pena. Um clássico infantojuvenil não sobrevive tanto tempo sem conter uma mensagem que realmente importa. As gerações podem mudar e o estilo da escrita pode ficar estranho, mas a história ainda toca seu coração.

Além disso, a edição da Harper Collins está linda! Só essa capa dura está apaixonante! E a revisão e diagramação estão bem legais também.

Ah, e definitivamente não assista o filme antes. Ainda vou resenhá-lo aqui, mas, só pra avisar, tudo o que foi extraído de Uma Dobra no Tempo foi o seu exterior, o seu enredo puro e simples, deixando a essência para trás. Não foi uma adaptação bem-sucedida, infelizmente. Mas ainda bem que existe o livro!

Obs: a coleção de livros é grande (com direito à spin-off da vida de Meg adulta), mas dá para ler só o primeiro de boas.

Coleção Time Quintet

Uma Dobra no Tempo
Um Vento à Porta
A Swiftly Tilting Planet
Many Waters
An Acceptable Time

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