[Resenha] Operação Red Sparrow - Jason Matthews

Desde pequena, o sonho de Dominika Egorova era fazer parte do Bolshoi, o balé mais importante da Rússia. Após ser vítima de uma sabotagem, porém, ela vê sua promissora carreira se encerrar de forma abrupta. Logo em seguida, mais um golpe: a morte inesperada do pai, seu melhor amigo.

Desnorteada, Dominika cede à pressão do tio, vice-diretor do serviço secreto da Rússia, o SVR, e entra para a organização. Pouco tempo depois, é mandada à Escola de Pardais, um instituto onde homens e mulheres aprendem técnicas de sedução para fins de espionagem.

Em seus primeiros meses como pardal, ela recebe uma importante missão: conquistar o americano Nathaniel Nash, um jovem agente da CIA, responsável por um dos mais influentes informantes russos que a agência já teve. O objetivo é fazê-lo revelar a identidade do traidor, que pertence ao alto escalão do SVR.

Logo Dominika e Nate entram num duelo de inteligência e táticas operacionais, apimentado pela atração irresistível que sentem um pelo outro.


Título: Operação Red Sparrow (lançado originalmente no Brasil como Roleta Russa)
Autor: Jason Matthews
Editora: Arqueiro
Ano: 2018
Número de páginas: 452

Avaliação (de 0 a 5): 4,0


Prepare-se para entrar no clima de uma atual Guerra Fria, com muita conspiração e questões políticas. Relançado com a capa do filme, que eu falarei mais adiante, Operação Red Sparrow é um livro extenso, nem sempre fluido e com muitas informações sobre o que realmente acontece nos serviços secretos.


Desenvolvimento da história


São 452 páginas que não passam exatamente voando. Não me entenda mal, o livro não é chato, mas você realmente sente cada página. Eu considero que a história tem três partes: a introdução das trajetórias de Dominika e Nash individualmente, o plano para arrancar informações de Nash e as consequências da reviravolta. A escola de pardais nem tem esse destaque todo como muita gente pensa (e o filme coloca).

Então, Jason Matthews, que já trabalhou na CIA, realmente nos inicia naquele mundo como poucos autores podem fazê-lo: sem a glamurização das obras de espionagem. Além dos planos empolgantes, vemos muito do cotidiano de fazer relatório, lidar com a burocracia (e a incompetência) de alguns colegas e conferir mil vezes se não está sendo seguido.


Portanto, você aprende muito sobre como a CIA funciona, mas tem que lidar com o nível de detalhamento das descrições de Matthews sobre o ambiente, passado dos personagens e a comida na mesa (incluindo receitas ao fim de cada capítulo, o que não é ruim). Quando há cenas de ação, no entanto, são infinitamente melhores do que no filme e realmente parecem factíveis.

Criação de personagens


Dominika é uma das melhores personagens, com sua frieza descomunal e sua capacidade singular de ver a cor da aura das pessoas, por assim dizer. Isso a ajuda a se manter viva, mas lá pelo meio do livro, as suas atitudes são um pouco impensadas e a personagem me parece um pouco perdida até o autor voltar a acertar o seu tom no final da história.

Nash parecia promissor no começo, mas o achei sem graça no decorrer da obra. A relação dele com Dominika é escrita como se fosse algo único e cheio de paixão, mas só pareceu um detalhe qualquer no meio de tantas intrigas que estavam acontecendo. Se isso pretendia ser um fator de muita importância, não foi essa a sensação que passou. Marble, no entanto, assim como outros personagens secundários, foi mais convincente.

Likha beda nachalo. Os desastres sempre começam com um problema.

Logo percebi que, apesar de Dominika ser uma boa personagem, o autor tem dificuldade em criar mulheres. As poucas que possuem destaque na história - por se passar em uma realidade predominantemente machista - são imprudentes e fazem besteiras inconcebíveis para os cargos que exercem. Sem falar que existem algumas descrições que tornam Dominika ideal demais, pouco humana, o que faz com que algumas de suas ações passionais pareçam estranhas.

Opiniões gerais sobre o livro


Operação Red Sparrow é um bom livro pra entender as relações entre EUA e Rússia, tão presentes nos noticiários atuais (o que é bem exemplificado com o ensinamento do treinamento de Dominika de que a Guerra Fria não acabou), ainda que seja do ponto de vista maniqueísta de um ex-agente da CIA né, o que resulta nos personagens russos serem mais cruéis que os americanos.

Seu desenvolvimento poderia ter sido mais enxuto. Jason Matthews mostra que tem a capacidade de criar personagens memoráveis, mas precisa melhorar na descrição das relações humanas para torná-las mais críveis na história.

No geral, é um livro de qualidade, com um grande enredo e boas intrigas de conspiração. Para quem é fã do gênero, vale a pena dar uma conferida!

Sobre o filme


Uma decepção! O filme tem excelentes atores no elenco, mas nenhum dos principais que interpretaram os russos eram dessa nacionalidade e pouquíssimo do idioma foi falado. Jennifer Lawrence fez um bom trabalho, mas, na tentativa de fazer Dominika soar mais frágil, o diretor a colocou numa cena totalmente desnecessária que ficou mais asquerosa do que no livro.

Eu sei que não é fácil condensar um livro tão comprido, mas o roteiro ficou confuso, bagunçado, o que tornou os momentos mais tensos da obra puramente sem emoção. O casal formado por Lawrence e Joel Edgerton também não convenceu.

A única coisa que eu realmente gostei foi do final. No geral, serve para uma diversão descompromissada e só. O diretor tentou fazer uma obra-prima, mas só conseguiu entregar mais um filme qualquer.




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