[Resenha] O Urso e o Rouxinol

Guerra dos tronos encontra Mitologia nórdica, bestseller de Neil Gaiman, neste conto de fadas ambientado na Rússia medieval. Romance de estreia da norte-americana Katherine Arden, que morou dois anos em Moscou.

O urso e o rouxinol mistura aventura, fantasia e mitologia ao acompanhar a jornada da jovem Vasya, criada, junto aos irmãos, num vilarejo próximo de uma floresta, e que cresceu ouvindo de sua ama contos e lendas sobre criaturas que vivem nas matas e que precisam receber oferendas para manter o mal adormecido em seu interior. Mas a chegada de Anna, madrasta de Vasya vinda da capital, de hábitos católicos, e de um padre ortodoxo que resolve instituir as práticas cristãs no vilarejo, provoca uma mudança na rotina da menina e abre as portas para uma terrível catástrofe. Sensível e determinada, Vasya é a única que consegue enxergar e conversar com esses seres fantásticos e torna-se a última esperança para salvar o povoado onde nasceu da destruição.

Título: O Urso e o Rouxinol
Autora: Katherine Arden
Trilogia Winternight #1
Editora: Fábrica 231
Ano: 2017
Quantidade de páginas: 320

Avaliação de (0 a 5): 5,0 

A Copa tá quase acabando (é, eu sei, o sonho do hexa fica para a próxima), mas que tal uma história LINDA que se passa na Rússia? Sem delongas, O Urso e o Rouxinol é um dos melhores livros que eu li esse ano! AMEI muito e vou protegê-lo. Vem comigo que eu te explico o porquê!

Sobre o que é O Urso e o Rouxinol

Essa capa mostra mais a cabana de Vasya
A sinopse não é muito atrativa. Parece quase infantil. Entendo que é difícil revelar algumas coisas do enredo, mas vamos lá. No norte da Rússia, Vasya nasceu com a promessa de herdar os poderes misteriosos da avó. A menina cresce enxergando as criaturas míticas do folclore e sendo vista com desconfiança pelos moradores do vilarejo.


Até aí tudo bem, mas o pai dela se casa com Anna, uma mulher religiosa e que também consegue ver as criaturas. Ao contrário de Vasya, Anna repudia as visões e as considera demônios. Não é pra menos que, ao descobrir que a enteada também os vê, ela passe a achar que a garota os invoca. 

É nesse cenário que o jovem padre Konstantin se instala no vilarejo e, em meio ao fascínio e temor que Vasya causa nele, ele começa a incentivar as pessoas a repudiarem as crenças antigas. Sem a proteção das criaturas - já enfraquecidas -,as antigas forças do mal passem a voltar a assombrar os moradores. 

Como são os personagens de O Urso e o Rouxinol?

A autora não entra muito na cabeça dos personagens. Sabemos das suas motivações e os que eles pensam, mas como a narrativa se assemelha a uma contação de histórias, logo partimos para outro detalhe que ajudará a compor o panorama geral.

-Os bravos vivem - respondeu Morozko. - Os covardes morrem na neve. Eu não sabia em qual dos dois você se enquadrava.
Página 271

Isso não impede que eles sejam fascinantes. Morozko, o Rei do Inverno, é tão imponente que aparece poucas vezes na história (e cada vez me faz ansiar pela história que ele divide com Vasya). Padre Konstantin é atormentado pelo desejo, orgulho e a vontade de impor o catolicismo em um lugar onde as crenças antigas vivem livremente, o que o torna irritante e interessante ao mesmo tempo. 

Vasya é poderosa, rebelde e maravilhosa, mas ela é a personagem com menos conflitos internos. Ainda assim, gostei muito dela. Anna é detestável, mas a sua história pregressa é uma reflexão sobre como o medo pode levar ao ódio. Eu gostaria de ter visto mais sobre Dunya, que parecia bem interessante. 

Mas por que eu gostei tanto desse livro?

Eu amo livros com um toque de magia. Adoro histórias que se inspiram em mitologias antigas. Eu conhecia a nórdica em vários livros, mas ainda não tinha visto a eslava. O Urso e o Rouxinol conta um conto de fadas que não é infantil em nada.

-Então, estou amaldiçoada? - Vasya murmurou, apavorada.
Não entendo o "amaldiçoada". Você é. E por ser, pode andar onde quiser, na paz, no esquecimento, nos buracos de fogo, mas você vai sempre escolher.
Página 255

Quero todas essas capas!
Temos insinuações de desejo reprimido em contraste com a selvageria e liberdade dos antigos costumes, um pseudoromance que ficamos esperando, uma lição de empoderamento feminino no mundo medieval machista, terror (sim, eu não esperava por cenas que pareciam ter saído de Salem, de Stephen King) e muita, muita cultura antiga russa.

Eu não consigo exprimir a magia e o fascínio que esse livro causou em mim. Mas se você é fã dos livros de Juliet Marillier, por exemplo, certamente vai se identificar com essa história. E o melhor é que, apesar de fazer parte de uma trilogia, não tem problema em ler só o primeiro. O final é bem amarradinho (poderia ser melhor na parte da ação final MAS o livro todo compensa).

Pra resumir? Aproveitem o restinho do clima de Rússia na Copa e leiam o Urso e o Rouxinol!

P.S: Parabéns à editora pela capa porque ficou um arraso! Como podem ver ao longo do texto, as capas ao redor do mundo sempre transmitem a aura de magia (e a informação de quem é o Rouxinol da história).

A trilogia Winternight

  1. O Urso e o Rouxinol
  2. The Girl in the Tower
  3. The Winter of the Witch

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