[Resenha] O Jardim Esquecido - Kate Morton

Uma criança abandonada, um antigo livro mágico, um jardim secreto, uma família aristocrática, um amor negado. Em mais uma obra-prima, Kate Morton cria uma história fantástica que nos conduz por um labirinto de memórias e encantamento, como um verdadeiro conto de fadas.
Dez anos após um trágico acidente, Cassandra sofre um novo baque com a morte de sua querida avó, Nell. Triste e solitária, ela tem a sensação de que perdeu tudo o que considerava importante. Mas o inesperado testamento deixado pela avó provoca outra reviravolta, desafiando tudo o que pensava que sabia sobre si mesma e sua família.
Ao herdar uma misteriosa casa na Inglaterra, um chalé no penhasco rodeado por um jardim abandonado, Cassandra percebe que Nell guardava uma série de segredos e fica intrigada sobre o passado da avó.
Enchendo-se de coragem, ela decide viajar à Inglaterra em busca de respostas. Suas únicas pistas são uma maleta antiga e um livro de contos de fadas escrito por Eliza Makepeace, autora vitoriana que desapareceu no início do século XX. Mal sabe Cassandra que, nesse processo, vai descobrir uma nova vida para ela própria.
Publicado originalmente como O Jardim Secreto de Eliza.
Título: O Jardim Esquecido
Autora: Kate Morton
Editora: Arqueiro
Ano: 2018
Quantidade de páginas: 496

Avaliação (de 0 a 5): 5,0

O Jardim Esquecido é aquele tipo de livro que deixa a gente encarando o nada depois que termina. A história é emocionante, profunda e melancólica, e realmente transporta você para dentro das páginas, enchendo a sua mente com as lembranças da narrativa. Eu demorei alguns minutos depois da leitura para absorver as histórias das personagens, seus percalços, suas tragédias e suas alegrias ao longo das páginas. É uma bela leitura.

Vox - Christina Dalcher

O governo decreta que as mulheres só podem falar 100 palavras por dia. A Dra. Jean McClellan está em negação. Ela não acredita que isso esteja acontecendo de verdade.
Esse é só o começo...
Em pouco tempo, as mulheres também são impedidas de trabalhar e os professores não ensinam mais as meninas a ler e escrever. Antes, cada pessoa falava em média 16 mil palavras por dia, mas agora as mulheres só têm 100 palavras para se fazer ouvir.
...mas não é o fim.
Lutando por si mesma, sua filha e todas as mulheres silenciadas, Jean vai reivindicar sua voz.
"Uma recriação apavorante de O conto da Aia no presente e um alerta oportuno sobre o poder e a importância da linguagem." – Marta Bausells, ELLE

A primeira vez que ouvi falar sobre esse livro foi em um encontro de blogueiros que a editora Arqueiro organizou no dia da bienal do livro de São Paulo e eu fiquei completamente alucinada pra ler só de ouvir sobre essa história, e comecei a ler na primeira oportunidade que tive e foi simplesmente incrível...

O livro tem uma ideia sensacional e em tempos onde falamos tanto sobre o direito das mulheres, o empoderamento feminino, vem esse livro e joga uma bomba sobre tudo isso e foi o livro que mais mexeu comigo esse ano, houve dois momentos que tive que parar a leitura, tomar uma água, dar um tempo, porque me revoltava, me senti como a personagem, sem voz, acuada...

Bem, o livro se passa nos tempos atuais, nos Estados Unidos um novo presidente foi eleito, um movimento que se auto denomina OS PUROS tem trabalhado nos últimos 15 anos para que as mulheres voltem a ser submissas, mulheres do lar, esposas e mães gentis... ou pelo menos é isso que eles apregoam, na prática as mulheres foram proibidas de trabalhar, ler, escrever e até falar... há um ano foi instituído que todas as pessoas do sexo feminino, inclusive crianças, recebam um contador que permite que a usuária fale 100 palavras no dia, após isso ele dispara uma descarga elétrica, que vai aumentando até causar a morte.

Há um ano as casas norte americanas se tornaram prisões de milhares de mulheres que do dia para a noite perderam tudo, é necessária a permissão dos pais e maridos para as coisas mais básicas e corriqueiras, os passaportes foram cancelados, as fronteiras fechadas... e as mulheres são tratadas como seres inferiores...

Acompanhamos tudo isso do ponto de vista da Dra. Jean que é uma linguista bastante reconhecida em sua área, mas que agora tem que ser apenas dona de casa, mãe de quatro filhos, assiste impotente seu filho mais velho se tornar um novo militante dos PUROS, tratando a mãe como se ele , um adoldescente, fosse melhor do que ela, uma cientista... ela se ressente do marido, da sua maneira cautelosa de ser, por ele trabalhar no alto escalão do governo... se preocupa com a filha que ganhou um prêmio na escola por ser a menina que menos falou o dia todo...

Quando o irmão do presidente sofre um acidente, a pesquisa de Jean fica em evidência e eles precisam dela para curá-lo... oferecem a ela a liberdade de fala, mas só enquanto estiver trabalhando nesse caso e ela começa a desconfiar que há muito mais por trás de tudo isso e que as mulheres sofreram ainda mais restrições...

Certas partes do livro foram muito revoltantes, uma certa parte a personagem pensa: "Talvez tenha sido isso que aconteceu na Alemanha com os nazistas"  e essa frase é chocante porque a autora detalha como tudo aconteceu ao longo de vários anos e de como "elas" não enxergaram tudo o que estava por vir... e aí você pensa: "ah, mas isso é só ficção... e aí lembra que os judeus também não acreditavam que tamanho ódio contra eles pudesse existir, que eles também não enxergaram o que estava por vir".

O livro mexe demais com o leitor, faz a gente pensar, dá medo, revolta... mas você não precisa se preocupar, porque tudo é bem escrito e ao contrário da moda atual das trilogias e séries intermináveis, esse resolve tudo em um único volume... 

Apenas um ponto do livro me desagradou, Jean é uma mulher extraordinária, mas achei desnecessário o romance, teria gostado muito mais se eles tivessem passado por tudo como uma família unida... não foi algo que atrapalhou a leitura, mas deve incomodar outros leitores... 

Tirando esse pequeno ponto, o livro é espetacular, vale muito a pena ser lido, analisado, discutido... esse é o primeiro livro publicado da autora e acho que devemos ficar de olho nos seus futuros trabalhos.

[Resenha] Mitologia Nórdica - Neil Gaiman


Neil Gaiman tem sido inspirado pela mitologia antiga na criação dos reinos fantásticos de sua ficção. Agora ele volta sua atenção para a fonte, apresentando uma versão bravura das grandes histórias do norte.

Na mitologia nórdica, Gaiman permanece fiel aos mitos ao prever o maior panteão dos deuses nórdicos: Odin, o mais alto dos altos, sábios, ousados ​​e astutos; Thor, filho de Odin, incrivelmente forte, mas não o mais sábio dos deuses; E Loki-filho de um irmão de sangue gigante para Odin e um malandro e insuperável manipulador.

Gaiman modela essas histórias primitivas em um arco romântico que começa com a gênese dos nove mundos lendários e mergulha nas façanhas de deidades, anões e gigantes. Uma vez, quando o martelo de Thor é roubado, Thor deve disfarçar-se como uma mulher - difícil com sua barba e enorme apetite - para roubá-lo de volta. Mais pungente é o conto em que o sangue de Kvasir - o mais sagaz dos deuses - se transforma em um hidromel que infunde bebedores com poesia. O trabalho culmina em Ragnarok, o crepúsculo dos deuses e o renascimento de um novo tempo e de pessoas.

Através da prosa hábil e espirituosa de Gaiman surgem esses deuses com suas naturezas ferozmente competitivas, sua susceptibilidade a ser enganados e enganar os outros e sua tendência a deixar a paixão inflamar suas ações, fazendo com que esses mitos há muito tempo respirem uma vida pungente novamente.


Título: Mitologia Nórdica
Autor: Neil Gaiman
Editora: Intrínseca
Ano: 2017
Quantidade de páginas: 288

Avaliação (de 0 a 5): 4,0

Se já é uma delícia descobrir histórias da Mitologia Nórdica (pelo menos pra mim!), imagina com a narrativa de Neil Gaiman! O autor de Coraline e Lugar Nenhum sabe transformar deuses míticos em personagens bem realistas com aquele toque de fantástico.

[Resenha] Contagem Regressiva - Ken Follet

Certa manhã, um homem acorda no chão de uma estação de trem, sem saber como foi parar ali. Não faz ideia de onde mora nem o que faz para viver. Não lembra sequer o próprio nome. Quando se convence de que é um morador de rua que sofre de alcoolismo, uma matéria no jornal sobre o lançamento de um satélite chama sua atenção e o faz desconfiar de que sua situação não é o que parece.

O ano é 1958 e os Estados Unidos estão prestes a lançar seu primeiro satélite, numa tentativa desesperada de se equiparar à União Soviética, com seu Sputnik, e recuperar a liderança na corrida espacial.

À medida que Luke remonta a história da própria vida e junta as peças do que está por trás de sua amnésia, percebe que seu destino está ligado ao foguete que será disparado dali a algumas horas em Cabo Canaveral.

Ao mesmo tempo, descobre segredos muito bem guardados sobre sua esposa, seu melhor amigo e a mulher que ele um dia amou mais que tudo. Em meio a mentiras, traição e a ameaça real de controle da mente, Luke precisa correr contra o tempo para conter a onda de destruição que se aproxima a cada segundo.

Título: Contagem Regressiva
Autor: Ken Follet
Editora: Arqueiro
Ano: 2018
Quantidade de páginas: 320

Avaliação de (0 a 5): 4,0

Nunca tinha lido nada do Ken Follet e não sabia muito o que esperar dele, mas Contagem Regressiva foi uma boa surpresa com doses de espionagem e muitas reviravoltas.


Eu Perdi o Rumo - Gayle Forman

Freya perdeu a voz no meio das gravações de seu álbum de estreia. Harun planeja fugir de casa para encontrar o garoto que ama. Nathaniel acaba de chegar a Nova York com uma mochila, um plano elaborado em meio ao desespero e nada a perder. 

Os três se esbarram por acaso no Central Park e, ao longo de um único dia, lentamente revelam trechos do passado que não conseguiram enfrentar sozinhos. Juntos, eles começam a entender que a saída do lugar triste e escuro em que se acham pode estar no gesto de ajudar o próximo a descobrir o próprio caminho. 

Contado a partir de três perspectivas diferentes, o romance inédito de Gayle Forman aborda o poder da amizade e a audácia de ser fiel a si mesmo. Eu Perdi o Rumo marca a volta de Gayle aos livros jovens, que a consagraram internacionalmente, e traz a prosa elegante que seus fãs conhecem e amam.

Esse foi o primeiro livro que li da autora e eu estava bem curiosa para conhecer, já que ela é muito famosa e vários livros dela já me foram recomendados... esse inclusive está sendo muito elogiado no skoob e li várias resenhas favoráveis... talvez justamente pelo meu excesso de expectativas eu tenha me decepcionado tanto com o livro, ou talvez essa não seja uma das suas melhores obras, só sei que para mim não funcionou...

Bem, a escrita da autora é algo notável, é fluída e quando você vê já acabou o livro... mas a história em si e os personagens não me agradaram, não houve empatia e achei tudo muito superficial e sem sentido... a história toda se passa em apenas um dia e talvez por isso também é que eu não senti muita ligação com os personagens...

A história mostra três jovens que estão perdidos na vida e acabam se envolvendo um pequeno acidente no Central Park em Nova Iorque, ficamos sabendo do passado dos personagens e o que os levou até ali através de flashbacks...

Freya é uma jovem cantora que alcançou fama através das redes sociais e agora está para gravar seu primeiro álbum, mas aí ela perde a voz e o medo de perder tudo faz com que ela se sinta totalmente perdida e desesperada...

Harum é um jovem muçulmano de família bastante tradicional e está sempre fazendo de tudo para ser o filho perfeito... só tem um problema, ele é gay e não teve coragem de "sair do armário" até agora, isso causou muito sofrimento ao jovem e fez com que seu namorado, James, terminasse tudo entre eles... agora a sua família espera que ele embarque em uma viagem ao Paquistão e volte de lá em seis semanas com uma esposa...

Nathaniel é um jovem literalmente perdido em Nova Iorque, e tem o passado mais misterioso entre todos os personagens, é um rapaz muito bonito e tem uma prótese ocular em um dos olhos... seus flashbacks são terrivelmente tristes e descobrimos como foi dura sua vida até ali, tendo sido criado apenas pelo pai que tem todos os sinais de uma grave doença mental...

Os três jovens se encontram e passam o dia todo juntos e acabam de uma forma ou outra se abrindo, contando coisas que nunca falaram para ninguém e até de certa maneira se salvando...

Creio que o que mais me desagradou foi a ideia de aquele foi apenas um dia na vida dos personagens, como se você passasse um dia na vida de uma pessoa aleatória, um dia muito importante, talvez até o dia mais importante de sua vida, um dia que vai mudar toda a trajetória da vida dela a partir daquele ponto... mas é só... e eu sou o tipo de leitora que adora epílogos, adora livros em que o último capítulo tem a frase: "Dez anos depois..."

Pelas avaliações que o livro teve no skoob e no goodreads já percebi que minha opinião é a minoria, a maioria esmagadora dos leitores está adorando o livro e tecendo ótimos elogios, o que eu considero muito bom, sinal que todos precisam ler e tirar suas próprias conclusões e a minha é apenas uma entre tantas outras... agora eu fiquei em um dilema, devo ou não ler outros livros da autora?